EFEITOS DO ÁCIDO CAFEICO SOBRE O DESENVOLVIMENTO, MORFOFISIOLOGIA DO INTESTINO MÉDIO E ATIVIDADES DE ENZIMAS DE LARVAS DE Aedes aegypti
Aedes aegypti. Ácido cafeico. Bioinseticidas. Arboviroses. Atividade larvicida. Enzimas digestivas.
Aedes aegypti L. (Diptera: Culicidae) é um importante vetor de arboviroses, e o uso contínuo de inseticidas sintéticos tem contribuído para a seleção de populações resistentes, reforçando a necessidade de novas estratégias de controle. Nesse contexto, este estudo investigou os efeitos do ácido cafeico sobre diferentes aspectos do ciclo de vida e da fisiologia de Ae. aegypti, incluindo atividades ovicida e larvicida, desenvolvimento pós-embrionário, eclosão da geração F2, morfofisiologia do intestino médio, permeabilidade da membrana peritrófica, melanização, atividade enzimática, interações moleculares e toxicidade sobre organismos não-alvo. O ácido cafeico apresentou atividade larvicida concentração-dependente, com CL25, CL50 e CL90 de 0,365, 1,08 e 2,44 mg/mL, respectivamente. A exposição dos ovos também reduziu a eclodibilidade, com taxas de 42,44–44,66% após 72 h nas concentrações de 1,26–5,04 mg/mL, em comparação a 94,00% no controle. O acompanhamento do ciclo de vida evidenciou redução da viabilidade de ovos, larvas e popas, bem como da sobrevivência dos adultos, sendo registrada, ao final de 432 h, sobrevivência média de 27,33 ± 10,38% na concentração de 2,52 mg/mL. Na geração F2, a exposição parental ao ácido cafeico reduziu a eclodibilidade dos ovos, que após 72 h foi de 58,75% e 63,32% nas concentrações de 2,52 e 5,04 mg/mL, respectivamente, em comparação a 81,63% no controle. O ácido cafeico modulou a resposta de melanização, mas não alterou a permeabilidade da membrana peritrófica. A atividade da acetilcolinesterase foi reduzida em 20,51% e 51,28% nas concentrações correspondentes às CL50 e CL90, respectivamente, embora essa redução não tenha diferido estatisticamente do controle (p = 0,4690). A atividade da tripsina foi reduzida para 72,27% e 77,41% nas CL50 e CL90, respectivamente, sem diferença estatística entre os tratamentos (p = 0,0554). A α-amilase apresentou redução de atividade para 76,40% e 67,10%, correspondendo a inibições de 23,60% e 32,92% nas CL50 e CL90, respectivamente, com diferença estatística entre os tratamentos (p = 0,0206). Estudos de docking molecular indicaram interações favoráveis do ácido cafeico com os sítios ativos da tripsina e da acetilcolinesterase. Nos ensaios ecotoxicológicos, foi observada elevada toxicidade para Artemia salina, enquanto os efeitos registrados em Tisbe biminiensis não puderam ser atribuídos exclusivamente ao ácido cafeico devido à resposta observada no controle do veículo. Em conjunto, os resultados demonstram que o ácido cafeico exerce ação multifatorial sobre Ae. aegypti, afetando processos associados à sobrevivência, desenvolvimento, reprodução e fisiologia larval, indicando seu potencial como material de partida para o desenvolvimento de estratégias alternativas de controle desse vetor. Entretanto, a toxicidade observada para A. salina evidencia a necessidade de estudos adicionais de seletividade e segurança ambiental antes de sua aplicação no controle vetorial.