AVALIAÇÃO DO POTENCIAL FARMACOLÓGICO DO ÓLEO FIXO DE Syagrus coronata (Mart.) Becc. EM MODELO EXPERIMENTAL DE PANCREATITE AGUDA INDUZIDA POR L-ARGININA
Pancreatite aguda. Fitoterapia. Ácido láurico. Licuri. Inflamação
A pancreatite aguda (PA) é uma doença inflamatória caracterizada por intensa resposta inflamatória e estresse oxidativo, mecanismos fundamentais para o agravamento da lesão pancreática e o desenvolvimento de complicações sistêmicas. Nesse cenário, produtos naturais com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias têm sido amplamente investigados como potenciais alternativas terapêuticas. Assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos do óleo fixo de Syagrus coronata (Mart.) Becc. (ScFO) em um modelo murino de pancreatite aguda induzida por L-arginina. Após a caracterização química do ScFO, os animais foram tratados por via oral com ScFO nas doses de 25, 50 e 100 mg/kg, sendo avaliados marcadores bioquímicos de lesão pancreática, citocinas pró-inflamatórias, parâmetros de estresse oxidativo no tecido pulmonar e alterações histopatológicas. A análise química revelou predominância de ácidos graxos saturados de cadeia média, com destaque para o ácido láurico. A indução da pancreatite promoveu aumento significativo dos níveis séricos de amilase, lipase, glicose, TNF-α, IL-1β e IL-6, além do aumento da peroxidação lipídica e da redução da atividade das enzimas antioxidantes SOD e CAT. O tratamento com ScFO apresentou efeito dose-dependente, sendo observados resultados significativos nas doses de 50 e 100 mg/kg. Na maior dose, foram observadas reduções de até 56,44% na amilase, 59,26% na lipase, 30,95% na glicose, 52,56% na IL-1β, 52,99% na IL-6, 50,00% no TNF-α e 54,69% nos níveis de MDA, além da recuperação da atividade das enzimas antioxidantes SOD e CAT em 60,37% e 58,38%, respectivamente. Adicionalmente, o tratamento promoveu atenuação das alterações histopatológicas pulmonares, evidenciada pela redução do infiltrado inflamatório, edema e desorganização tecidual. Conclui-se que o ScFO exerce atividade anti-inflamatória e antioxidante, reduzindo as alterações sistêmicas associadas à pancreatite aguda experimental. Esses achados ampliam o conhecimento sobre o potencial farmacológico de S. coronata e reforçam sua relevância como fonte promissora de compostos bioativos para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas voltadas ao tratamento da pancreatite aguda.