AVALIAÇÃO DO EFEITO FOTOPROTETOR E ANTIOXIDANTE DOS EXTRATOS DO RESÍDUO DE Syagrus coronata (Mart.) Becc PARA MITIGAÇÃO DO ENVELHECIMENTO DA PELE
Antienvelhecimento. Compostos bioativos. Dermocosméticos. Fotoprotetor. Produtos naturais.
O processo de envelhecimento da pele é intensificado por influências extrínsecas e intrínsecas, como a radiação ultravioleta e os radicais livres, impulsionando a investigação de constituintes bioativos de origem natural. Espécies da Caatinga, como Syagrus coronata (Mart.) Becc., apresentam um arsenal metabólico único e relevância etnofarmacológica consolidada. No entanto, a aplicação biotecnológica de seus subprodutos industriais no setor cosmético permanece completamente inexplorada, limitando o potencial inovador dessa matriz vegetal. Para solucionar essa lacuna, o presente trabalho propõe elucidar o perfil fitoquímico, bem como avaliar o potencial fotoprotetor, antioxidante, antienvelhecimento e o perfil de segurança das frações derivadas do resíduo de Syagrus coronata, com foco em sua viabilidade para formulações dermocosméticas. Metodologicamente, procedeu-se à extração sequencial dos compostos químicos do resíduo empregando-se solventes em ordem crescente de polaridade: hexano (Sc-Hex), acetato de etila (Sc-Aet), metanol (Sc-Met) e etanol (Sc-Et). A quantificação de compostos fenólicos totais e flavonoides constituiu a base para a identificação fitoquímica. A capacidade antioxidante foi avaliada pelos ensaios de ABTS, DPPH e CAT, juntamente com a quantificação in vitro do Fator de Proteção Solar (FPS) através do método descrito por Mansur com adaptações. A atividade antienvelhecimento foi determinada mediante testes de inibição da enzima colagenase, enquanto a segurança celular foi avaliada pelos ensaios de hemólise oxidativa e citotoxicidade (MTT). Os resultados evidenciaram que os extratos de maior polaridade concentraram os maiores teores de compostos fenólicos, exibindo 149,95 ± 0,57 mg/g (Sc-Et) e 117,22 ± 0,78 mg/g (Sc-Met). Em relação aos flavonoides, registraram-se valores de 32,20 ± 0,51 mg/g (Sc-Et) e 21,11 ± 0,66 mg/g (Sc-Met). O Sc-Et demonstrou a capacidade antioxidante mais expressiva, comprovada através dos menores valores de IC50 nos testes DPPH (372,20 μg/mL), CAT (978,25 μg/mL) e ABTS (351,30 μg/mL). Na avaliação fotoprotetora, os extratos polares atingiram FPS de 23,10 (Sc-Et) e 21,96 (Sc-Met), superando significativamente o mínimo exigido pela ANVISA (FPS ≥ 6) para produtos fotoprotetores. Constatou-se inibição discreta da colagenase em todas as amostras, com destaque para o Sc-Aet (13,70%) e o Sc-Met (11,69%). O ensaio de hemólise revelou que as frações Sc-Hex, Sc-Aet e Sc-Et conferiram proteção celular de até 63% por um período de seis horas. A avaliação de citotoxicidade pelo teste MTT demonstrou um perfil de segurança biológica adequado para as concentrações analisadas, exibindo viabilidade celular moderada e baixa citotoxicidade, com valores de IC50 determinados para os fibroblastos L929 de 367,4 µg/mL (Sc - Met), 392,8 µg/mL (Sc - Et), 474,3 µg/mL (Sc - Aet) e 293,9 µg/mL (Sc - Hex). Simultaneamente, o ensaio com a linhagem de macrófagos RAW 264.7 indicou concentrações inibitórias de 116,7 µg/mL (Sc - Met), 131,9 µg/mL (Sc - Et), 133,5 µg/mL (Sc - Aet) e 103,3 µg/mL (Sc - Hex). Conclui-se que os extratos possuem elevado potencial biológico e segurança, viabilizando-os como ingredientes ativos sustentáveis para novas formulações dermocosméticas antienvelhecimento.