Correlação Entre a Mutação BRAF(V600) e a Expressão da Metaloproteinase da Matriz 14 e p16(INK4a) em Carcinoma Papilífero de Tireoide
BRAF Quinase. Carcinoma Papilífero de Tireoide. Inibidor p16 de Quinase Dependente de Ciclina. Metaloproteinase da Matriz 14.
Mundialmente, o câncer de tireoide (CT) é o sétimo mais incidente e o vigésimo-quarto mais mortal. O carcinoma papilífero de tireoide (CPT) corresponde a cerca de 90% dos casos de CT, sendo, em geral, bem diferenciado e de bom prognóstico. Alguns CPTs, contudo, podem apresentar perfis clínico-patológicos mais agressivos, com avançados estágios tumorais e piores prognósticos. Supõe-se que as mutações BRAF(V600), em especial a V600E, que acomete cerca de 25% a 82% dos casos de CPT, estejam envolvidas com o risco de invasão tumoral e metástase, o que leva à necessidade de se detectar marcadores potencialmente associados à BRAF(V600). Dentre os prováveis, destacam-se as metaloproteinases da matriz (MMPs), como a MMP-14, envolvida na degradação e remodelamento da matriz tecidual, e a proteína p16(INK4a), importante supressora tumoral e reguladora do ciclo celular. Logo, este estudo buscou analisar as expressões de MMP-14 e p16(INK4a), correlacionado-as à presença da mutação BRAF(V600), a padrões de densidade de colágeno e aos dados clínico-patológicos. Houveram diferenças significativas nas expressões de MMP-14 e p16(INK4a), por imuno-histoquímica (IHQ), entre área tumoral e tecido tireoidiano saudável adjacente (p < 0,0001 em ambas). Para a densidade de colágeno, analisada após coloração por Tricrômico de Masson, também houveram diferenças significativas entre áreas tumorais e adjacentes (p < 0,0001). MMP-14 e p16(INK4a) também destacaram-se como biomarcadores de CPT, com ótima distinção entre tumor e tecido saudável (p < 0,0001, AUC = 0,9064, sensibilidade = 84,09%, especificidade = 82,95% e p < 0,0001, AUC = 0,9653, sensibilidade = 92,05% e especificidade = 89,77%, respectivamente). A mutação BRAF(V600) apresentou associação significativa à expressão de p16(INK4a) (p = 0,0320) e à parte dos dados clínico-patológicos, embora não à expressão de MMP-14 (p = 0,1245) ou ao colágeno tumoral (p = 0,4067). Esses resultados demonstram o potencial de p16(INK4a) como biomarcador de progressão tumoral e diagnóstico diferencial de CPTs com mutação BRAF(V600), embora análises mais minuciosas tanto para p16(INK4a) quanto para MMP-14 sejam necessárias para validar os achados deste estudo e elucidar mais assertivamente o real impacto desses biomarcadores sobre o CPT.