Avaliação dos efeitos antioxidantes da N-acetilcisteína (NAC) e do ácido clorogênico (ACG) na estabilidade do DNA em células deficientes em sistemas de reparo
Xeroderma Pigmentoso. Síntese translesão. Sequenciamento Completo do Genoma. Assinaturas mutacionais. Cisplatina.
O Xeroderma Pigmentoso (XP) é uma genodermatose autossômica recessiva rara, caracterizada pela deficiência no reparo de danos ao DNA. A desordem se estabelece devido à mutação em um dos genes da via de reparo por excisão de nucleotídeos (NER) ou no gene POLH, que codifica a DNA polimerase eta (Pol η), atuante na síntese translesão (TLS). Clinicamente, os pacientes apresentam maior sensibilidade à radiação ultravioleta (UV) e, devido à instabilidade genômica ocasionada pelo reparo deficiente, possuem elevada predisposição ao desenvolvimento de neoplasias cutâneas. Contudo, diferentemente da população em geral, pacientes com XP não respondem adequadamente aos tratamentos antineoplásicos tradicionais que combinam agentes genotóxicos, uma vez que a deficiência nos mecanismos de reparo potencializa a carga mutacional e o processo de morte celular. No Brasil, assim como outras doenças raras (DRs), o XP é subdiagnosticado e o tratamento clínico é, por vezes, inespecífico. Neste trabalho, relata-se o caso de gêmeos monozigóticos (M3 e M6) com XP variante (XP-V), que exibem fenótipos divergentes apesar de compartilharem o mesmo ambiente doméstico e profissional, e hábitos semelhantes. Na investigação da mutação causal, usando o sequenciamento de genoma completo (WGS), avaliamos também o perfil mutacional dos pacientes para avaliar o impacto das estratégias terapêuticas adotadas nesses casos. Os resultados confirmaram o parentesco e a presença da mesma mutação no gene POLH em ambos os pacientes. A variação no número total de substituições entre os pacientes apresentou uma diferença estatisticamente significativa (p < 0,0001), corroborando o fenótipo clínico mais grave. Para avaliar o papel da cisplatina (CDDP), um quimioterápico amplamente usado no tratamento de melanoma, no paciente M3, testamos in vitro o impacto citotóxico desse fármaco no ciclo celular de células deficientes em TLS. As análises genômicas revelaram que danos endógenos e intervenções terapêuticas podem levar a altos níveis de carga mutacional e à divergência fenotípica, mesmo em indivíduos geneticamente idênticos.