BIOPROSPECÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS DA CAATINGA BRASILEIRA: POTENCIAL TERAPÊUTICO E PERFIL DE SEGURANÇA DE Eugenia flavescens DC E Pseudobombax simplicifolium A. Robyns
Caatinga; plantas medicinais; Pseudobombax simplicifolium; Eugenia flavescens; atividade anti-inflamatória; antinociceptiva; gastroproteção; toxicidade.
A Caatinga representa um dos principais biomas brasileiros, destacando-se pela elevada biodiversidade e pelo amplo uso de espécies medicinais por comunidades tradicionais. Entre as plantas com potencial terapêutico, destacam-se Pseudobombax simplicifolium A. Robyns e Eugenia flavescens DC., utilizadas popularmente no tratamento de processos inflamatórios, dores e distúrbios gastrointestinais. Contudo, ainda são escassas as evidências científicas relacionadas às propriedades farmacológicas e toxicológicas dessas espécies. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar as propriedades fitoquímicas, farmacológicas e toxicológicas do extrato aquoso de Pseudobombax simplicifolium (EAPS) e do óleo essencial de Eugenia flavescens (EOEf), visando à validação científica de seu uso tradicional. Foram realizadas análises fitoquímicas qualitativas e quantitativas para identificação dos principais metabólitos secundários presentes nas espécies estudadas. As atividades biológicas foram investigadas por meio de modelos experimentais in vitro e in vivo voltados à avaliação antioxidante, antinociceptiva, anti-inflamatória, antipirética, gastroprotetora e toxicológica. A análise fitoquímica do EAPS revelou elevados teores de compostos fenólicos e flavonoides, com identificação de catequina e epicatequina. O EOEf apresentou composição rica em sesquiterpenos, destacando-se guaiol, germacreno B, biciclogermacreno e E-cariofileno. Nos ensaios de toxicidade oral aguda, tanto o EAPS quanto o EOEf apresentaram baixa toxicidade, sem alterações comportamentais ou sinais relevantes de toxicidade sistêmica. Ambos demonstraram significativa atividade antioxidante nos ensaios ABTS, DPPH e capacidade antioxidante total (CAT). Na avaliação antinociceptiva, o EOEf promoveu inibição de 72,05% na dose de 100 mg/kg, enquanto o EAPS apresentou redução de 62,1% na mesma dose. No teste da formalina, o EAPS reduziu significativamente o tempo de lambida das patas, sendo esse efeito revertido pela naloxona e atropina, sugerindo envolvimento dos sistemas opioide e colinérgico. Em relação à atividade anti-inflamatória, o EOEf apresentou inibição do edema de pata de 95,50% e 97,69% nas doses de 50 e 100 mg/kg, respectivamente. O EAPS reduziu aproximadamente 48% do edema na dose de 100 mg/kg, além de promover diminuição significativa e dose-dependente da migração leucocitária, bem como redução dos níveis de TNF-α e IL-1β. Adicionalmente, o EAPS demonstrou atividade antipirética comparável à dipirona. O EOEf também apresentou efeito gastroprotetor significativo, possivelmente mediado pela participação de compostos sulfidrila (–SH), óxido nítrico (NO) e prostaglandina E₂ (PGE₂). Os resultados demonstraram que Pseudobombax simplicifolium e Eugenia flavescens apresentam relevante potencial farmacológico associado às atividades antioxidante, anti-inflamatória, antinociceptiva, antipirética e gastroprotetora, com baixa toxicidade aguda. Esses achados reforçam a importância das espécies medicinais da Caatinga como fontes promissoras de compostos bioativos e contribuem para a validação científica do uso tradicional dessas plantas, ampliando as perspectivas para o desenvolvimento de novos fitoterápicos seguros e eficazes.