PREPARAÇÕES DE FOLHAS DE Jatropha gossypiifolia L: INVESTIGAÇÃO DOS EFEITOS SOBRE VETOR E AGENTE CAUSADOR DE ARBOVIROSES
Aedes aegypti, Vitexina, Jatropha gossypiifolia, Acetilcolinesterase, Tripsina-2, Atividade larvicida
O controle de Aedes aegypti L. (Diptera:Culicidae) permanece um desafio crítico diante da crescente resistência a inseticidas, impulsionando a busca por alternativas baseadas em compostos vegetais com mecanismos de ação multifatoriais. Neste estudo, investigou-se a composição química e o potencial larvicida do extrato salino de folhas de Jatropha gossypiifolia L. (Euphorbiaceae) em larvas L3 de Ae. aegypti, bem como os mecanismos subjacentes à sua toxicidade. Para elucidar a base molecular dos efeitos observados, foi empregada uma abordagem in silico focada na interação da vitexina, um dos principais flavonoides do extrato, com as enzimas tripsina-2 e acetilcolinesterase (AChE). A caracterização química revelou um perfil multicomponente, incluindo flavonoides, terpenoides e lectinas com afinidade por N-acetilglicosamina. O extrato apresentou atividade larvicida dependente da concentração e do tempo (CL₅₀ = 4,68 mg/mL em 48 h), induzindo alterações comportamentais compatíveis com comprometimento neuromotor, associadas à modulação da atividade de AChE. Adicionalmente, foram observadas alterações histológicas no epitélio intestinal, aumento da permeabilidade da membrana peritrófica e desregulação enzimática digestiva, com redução da atividade de tripsina e aumento de α-amilase, indicando prejuízo funcional ao sistema digestório. A modelagem estrutural da tripsina-2, seguida de refinamento por dinâmica molecular, resultou em um modelo estável e adequado para análises de interação. Ensaios de acoplamento molecular, previamente validados, demonstraram que a vitexina interage com resíduos-chave da tríade catalítica, sugerindo um mecanismo de inibição competitiva. Na AChE, o composto apresentou interação preferencial com o sítio periférico aniônico, incluindo empilhamento π–π com resíduos aromáticos e formação de ligações de hidrogênio, compatíveis com bloqueio estérico da gorge catalítica. Em conjunto, os dados experimentais e computacionais sustentam um mecanismo de ação convergente e multitarget, capaz de comprometer simultaneamente processos neurofisiológicos e digestivos essenciais. Esses achados não apenas fornecem base mecanística para a atividade larvicida de J. gossypiifolia, mas também posicionam a vitexina como um arcabouço promissor para o desenvolvimento racional de agentes sustentáveis no controle de vetores.