Aplicação de microalgas provenientes de estação de tratamento de efluentes domésticos e industriais na remoção de alquilbenzeno sulfonado linear
consórcio microalgal; sistemas de lagoas de tratamento de efluentes; biorremediação; surfactante anionico; monitoramento ambiental; teste de toxicidade.
A Estação de Tratamento de Águas Residuárias Multifabril, em Jaboatão dos Guararapes, Brasil, recebe efluentes de 15 diferentes indústrias, bem como resíduos domésticos. Isso permitiu o estabelecimento de uma comunidade microbiana altamente adaptada e um elevado nível de remoção de poluentes. Este estudo investigou suas características físico-químicas e como a composição microbiana pode contribuir para sua eficiência. Na análise da comunidade de cianobactérias e microalgas verificou-se que Oocystis sp., Choricystis sp. e Chlorella sp., foram os mais abundantes nas lagoas aeróbias. Contribuindo para o desempenho do tratamento e oxigenação das lagoas. Esses achados indicam que o sistema de tratamento avaliado, que combina lagoas anaeróbias e aeróbias, representa uma solução para o tratamento de águas residuárias industriais e domésticas. Paralelamente, a revisão sistemática, que teve como objetivo de realizar uma revisão sistemática da literatura sobre os efeitos do alquilbenzeno sulfonato linear (LAS) em microalgas, com ênfase na toxicidade, nas concentrações testadas, nas espécies avaliadas e nas eficiências de remoção reportadas. A busca sistemática, conduzida de acordo com as diretrizes PRISMA, resultou na seleção de 17 estudos publicados entre 2005 a 2023. As concentrações de LAS avaliadas variaram de 0,001 a 1.000 mg/L. Efeitos tóxicos subletais e letais foram observados em concentrações tão baixas quanto 0,01–0,02 mg/L, com reduções superiores a 90% na viabilidade celular em espécies sensíveis, como Chaetoceros sp. Os valores de IC₅₀ variaram de 0,332 a 8,46 mg/L, indicando elevada variabilidade interespecífica. Em contraste, Chlorella sp. e Scenedesmus sp. mantiveram crescimento em concentrações de até 100 mg/L. Sistemas com microalgas apresentaram eficiências de remoção entre 61,7% e 73,3%, enquanto consórcios microalga-bactéria alcançaram remoções superiores a 90%, com eficiência máxima de 97,2%. Conclui-se que o LAS representa um risco ecotoxicológico; entretanto, as microalgas, especialmente em sistemas simbióticos, constituem alternativas promissoras para sua biorremediação. O LAS é um surfactante aniônico amplamente utilizado em produtos de limpeza domésticos e industriais, sendo frequentemente detectado em ambientes aquáticos. Neste contexto, este estudo teve como objetivo avaliar os mecanismos de remoção do LAS por um consórcio microalgal composto por Oocystis sp., Choricystis sp. e Chlorella sp., isolado de uma estação de tratamento de efluentes, bem como analisar, por meio de revisão sistemática da literatura, os efeitos desse surfactante sobre microalgas. Nos ensaios experimentais de biorremediação, foram avaliadas 11 ensaios sob diferentes condições de luz, concentração inicial do surfactante e biomassa algal, incluindo experimentos com células inativadas para avaliação da biossorção. Os ensaios foram conduzidas com concentrações iniciais de LAS variando entre 6,08 ± 0,86 mg/L e 23,59 ± 5,15 mg/L, sob condições controladas de iluminação e ausência de luz. A quantificação do LAS e de seus homólogos (C10–C13) foi realizada por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), e os dados foram ajustados a um modelo cinético de decaimento exponencial para avaliação da degradação do surfactante. Os resultados indicaram elevada eficiência de remoção do LAS total, alcançando até 83,3% nas amostras contendo microalgas sob iluminação, com degradação completa dos homólogos de cadeia mais longa (C12 e C13). Em contraste, os homólogos de cadeia mais curta, especialmente o C10, apresentaram maior recalcitrância e tendência de acúmulo, sugerindo sua formação como subproduto da degradação parcial. Ensaios de ecotoxicidade com Aliivibrio fischeri demonstraram redução progressiva da toxicidade ao longo do período experimental, com valores finais em conformidade com a legislação ambiental brasileira vigente.