Banca de DEFESA: LUIS ROMARIO DA SILVA SANTOS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LUIS ROMARIO DA SILVA SANTOS
DATA : 04/03/2026
HORA: 15:00
LOCAL: Anfiteatro do PPGCB
TÍTULO:

QUINTAIS PRODUTIVOS NO VALE DO CATIMBAU: USOS DA BIODIVERSIDADE E NARRATIVAS DE VIDA NA CAATINGA


PALAVRAS-CHAVES:

Cartografia social. Quintais produtivos. Conhecimento tradicional. Caatinga. Agroecologia.


PÁGINAS: 115
RESUMO:

O Parque Nacional do Catimbau está localizado nos municípios de Buíque, Tupanatinga e Ibimirim, no estado de Pernambuco. Inserido no bioma Caatinga, o território é marcado pela sobreposição entre unidade de conservação e áreas de uso tradicional, onde vivem populações rurais e povos indígenas. Os quintais produtivos (sistemas localizados no entorno das residências, especialmente em contextos rurais e periurbanos) constituem tecnologias sociais que estruturam dinâmicas socioambientais, sustentam modos de vida e expressam narrativas que articulam território, identidade e biodiversidade. Nesse sentido, esta dissertação analisou os quintais produtivos como espaços de produção, memória e resistência no território do Parque Nacional do Catimbau. A investigação adotou abordagem qualitativa e quantitativa, com uso de metodologias participativas, incluindo cartografia social, entrevistas semiestruturadas, histórias de vida, observação direta e registro georreferenciado dos espaços produtivos. A construção do vínculo com as comunidades foi fundamentada na escuta sensível e na técnica de rapport, priorizando o protagonismo local na produção dos mapas e na interpretação dos usos do território. Ao todo, foram analisados quintais que revelaram elevada diversidade de espécies vegetais nativas e exóticas, destinadas a fins alimentares, medicinais, forrageiros, ritualísticos e comerciais. Os resultados evidenciam que os quintais produtivos do Catimbau constituem sistemas complexos, estruturados a partir de saberes tradicionais transmitidos entre gerações. Esses espaços funcionam como despensas vivas, garantindo segurança alimentar, geração complementar de renda e conservação da agrobiodiversidade da Caatinga. Observou-se a presença de práticas adaptadas às condições do semiárido, como o manejo de espécies resistentes à seca, reutilização de recursos hídricos, consórcios de culturas e criação de pequenos animais integrados ao sistema produtivo. Além de sua dimensão material, os quintais se revelam territórios afetivos, onde memórias familiares, experiências de trabalho e ensinamentos ancestrais são constantemente atualizados. As narrativas dos moradores expressam sentimentos ambíguos em relação à unidade de conservação, alternando reconhecimento da importância ambiental e críticas às limitações sobre práticas tradicionais. Tais relatos evidenciam processos históricos de adaptação, resistência e reorganização sociocultural frente às transformações territoriais. Conclui-se que a cartografia social, aliada às narrativas de vida, constitui ferramenta estratégica para visibilizar os usos tradicionais da biodiversidade, fortalecer o protagonismo comunitário e subsidiar políticas públicas que conciliem conservação ambiental, direitos territoriais e promoção da bioeconomia no semiárido brasileiro. Os quintais produtivos, portanto, ultrapassam a dimensão produtiva e afirmam-se como espaços de vida, conhecimento e permanência no Catimbau.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - AMANDA VIEIRA DE BARROS - UFPE
Externa à Instituição - FRANCINETE FRANCIS LACERDA - IPA
Presidente - 1960817 - THIAGO HENRIQUE NAPOLEAO
Notícia cadastrada em: 01/03/2026 08:59
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