EFEITO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA AUTOEFICÁCIA DA SAÚDE SEXUAL E
REPRODUTIVA DE ADOLESCENTES: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO
Histórias em Quadrinho; Saúde Sexual; Educação em Saúde; Autoeficácia.
A iniciação sexual tem ocorrido cada vez mais precoce entre os jovens, sendo a adolescência a fase que ocorre esse despertar. Para evitar possíveis problemas como gravidez não planejada e/ou infecções sexualmente transmissíveis é necessário educar os jovens para uma vida sexual saudável. No campo das tecnologias, que auxiliam no processo de educação em saúde, encontram-se as histórias em quadrinhos, de uso comum entre os jovens, sobretudo, os adolescentes. As histórias em quadrinho ou Gibi podem ser importantes recursos na educação em saúde. Assim, o presente estudo objetiva avaliar o efeito da História em Quadrinho “E na hora H o que pode rolar? na autoeficácia da saúde sexual e reprodutiva de adolescentes escolares. A História em Quadrinho foi validada previamente tanto em conteúdo quanto em aparência. Também foi construído e validado um instrumento para avaliar a autoeficácia da História em Quadrinho nos adolescentes. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, duplo cego, realizado em escolas públicas estaduais, com alunos do primeiro e segundo ano do ensino médio. O grupo controle teve contato com o material escolar de rotina, presente no livro didático da escola e o grupo intervenção com a História em Quadrinho. No grupo controle participaram 66 alunos e no grupo intervenção foram 63 alunos. Os resultados mostram que o público feminino e masculino foi equivalente, com predomínio para a autodeclaração de heterossexuais, cor parda, solteiro, tendo renda familiar média de um a dois salários-mínimos, sem religião. Já no âmbito da vida sexual o grupo intervenção teve declaração de atividade sexual maior que o grupo controle, também foram divergentes quanto ao uso de drogas que teve como utilização de drogas lícitas maior no grupo controle, enquanto, no grupo intervenção o uso de drogas ilícitas foi maior. O método contraceptivo mais utilizados pelos jovens foi o preservativo, seguido de pílula anticoncepcional oral. A tese de que os escores da autoeficácia seria maior no grupo intervenção após a leitura das Histórias em Quadrinhos foi refutada. No entanto, é possível inferir que no pré-teste a autoeficácia entre os grupos foi divergente. Sendo que no grupo controle o escore de autoeficácia foi maior que no grupo intervenção no pré-teste e no pós-teste esse valor se equiparou, ou seja, houve um aumento da autoeficácia no grupo intervenção. Demonstrando assim, o potencial da tecnologia em questão para explorar e abordar a temática da saúde sexual e reprodutiva em adolescentes escolares. É possível constatar que, as Histórias em Quadrinhos enquanto recurso educacional pode ser explorado e utilizado a fim de gerar impacto positivos na saúde dos jovens. O estudo teve como limitação a divergência inicial na autoeficácia entre os grupos, mesmo que tenha sido feito o processo de randomização por conglomerados e realizado a escolha do público-alvo com base nas similaridades da população. Outro ponto importante a ser abordado é que a tecnologia foi avaliada durante trinta dias, seu efeito a longo prazo não foi medido, para isto, são necessários outros estudos avaliando repercussão da utilização da tecnologia nos adolescentes. Também se sugere que outros profissionais possam utilizá-la como os professores das escolas, no presente estudo a tecnologia foi avaliada apenas por enfermeiros.