Banca de QUALIFICAÇÃO: DIMITRI CARLOVICH GOUVEIA FAGUNDES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: DIMITRI CARLOVICH GOUVEIA FAGUNDES
DATA : 29/09/2026
LOCAL: VIDEOCONFERÊNCIA
TÍTULO:

CUIDADO FARMACÊUTICO AFIRMATIVO À POPULAÇÃO TRANSVESTIGÊNERE: UMA ANÁLISE LONGITUDINAL DA THAG E A DESCONSTRUÇÃO DA DESIGNAÇÃO GENITAL COMPULSÓRIA


PALAVRAS-CHAVES:

Cuidado Farmacêutico; Hormonioterapia; Pessoas Transgênero; Redução de Danos; Saúde Coletiva; Sistema Único de Saúde.


PÁGINAS: 210
RESUMO:

A Terapia Hormonal de Afirmação de Gênero (THAG) constitui uma tecnologia de gênero indispensável para a adequação corporal e a redução da disforia na população transvestigênere. No entanto, graves barreiras assistenciais, transfobia institucional e a escassez de serviços especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) empurram essa população para itinerários informais de automedicação e transições do-it-yourself (DIY). Diante desse cenário de exclusão crônica, a publicação da Resolução CFF nº 5/2026 estabeleceu as diretrizes para a atuação do farmacêutico no cuidado à população LGBTQIAPN+. Este trabalho tem como objetivo geral analisar, de forma longitudinal e translacional, os impactos e os desafios da THAG no âmbito do SUS, qualificando a atuação do Cuidado Farmacêutico Afirmativo para promover a segurança clínica, a redução de danos, a desconstrução da Designação Genital Compulsória e a autonomia corporal dos sujeitos. Metodologicamente, a pesquisa adota um delineamento quase-experimental prospectivo do tipo pré-pós implementação, estruturado em duas fases. A Fase 1 (observacional/diagnóstica) compreendeu o recrutamento de 95 participantes da Região Metropolitana do Recife (RMR) e via Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Os resultados preliminares revelam um cenário alarmante: 60,4% dos participantes realizam a transição sem qualquer acompanhamento formal, 21,9% utilizam hormônios sem supervisão e 57,3% não possuem exames laboratoriais basais recentes. Detectou-se o uso frequente de formulações contraindicadas de alto risco trombótico e cardiovascular, como contraceptivos contendo etinilestradiol e formulações de depósito, além de práticas extremas como o consumo de hormônios piratas e tintura de placenta. Paralelamente, avaliou-se o papel pedagógico do farmacêutico através da tradução do conhecimento no ambiente digital (Instagram), onde 11 posts educativos alcançaram engajamento de utilidade pública expressivo (liderados pela comemoração do Dia do Orgulho com 1.805 compartilhamentos e pelo Novo Teste de HPV no SUS com 360 salvamentos e 1.250 compartilhamentos), validando a mídia social como "dispositivo de letramento de bolso" e de redução de danos na comunidade. A Fase 2 (intervenção clínica) consiste no acompanhamento farmacoterapêutico longitudinal de um ano de aproximadamente 100 usuários no consultório do LEPEPICS/UFPE, com exames laboratoriais processados no Hospital das Clínicas da UFPE. O protocolo clínico-laboratorial inovador introduz o biomarcador sérico Cistatina C para estimativa fidedigna da função renal (eGFR) livre dos vieses matemáticos da massa muscular magra induzidos pela THAG, além de monitorar o perfil lipídico, hepático, hematológico (hematócrito) e as dosagens séricas hormonais (testosterona, estradiol, progesterona, prolactina e gonadofinas). Os dados clínicos e de qualidade de vida (WHOQOL-bref) serão submetidos à modelagem estatística multivariada (modelos de regressão logística, de Cox e Poisson de efeitos mistos) utilizando o software Stata 19. Como resultados esperados, projeta-se uma redução drástica na incidência de Problemas Relacionados a Medicamentos (PRMs) severos, como a eritrocitose androgênica, a aromatização paradoxal por superdosagem, a atrofia urogenital em transmasculinos e a toxicidade hepática/prolactinomas secundários à dose obsoleto de 50 mg/dia de ciproterona, e um aumento estatisticamente significativo (p < 0,05) nos escores multidimensionais de qualidade de vida. Conclui-se que o Cuidado Farmacêutico Afirmativo consolida-se como uma tecnologia decolonial e de equidade indispensável no SUS, deslocando o papel do profissional de vigilante punitivo para o de aliado técnico na cogestão da soberania corporal trans.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - NAILA NEVES DE JESUS - UFMG
Externo à Instituição - LEONARDO MORJAN BRITTO PECANHA
Presidente - 2937881 - LARISSA ARAUJO ROLIM
Notícia cadastrada em: 16/09/2026 19:32
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