Isolamento, Purificação E Caracterização Físico-Química De Biopolímero Obtido De Exsudato Vegetal do Gênero Spondias
Bioma Caatinga; Spondias spp.; Arabinogalactana; Caracterização Estrutural; Filmes Biopoliméricos
Gomas naturais têm recebido atenção crescente como biopolímeros versáteis devido às suas propriedades físico-químicas, biocompatibilidade e biodegradabilidade, destacando-se como alternativas sustentáveis aos polímeros sintéticos. O gênero Spondias (Anacardiaceae), amplamente distribuído no semiárido brasileiro, produz exsudatos polissacarídicos com potencial biotecnológico ainda pouco explorado. Diante disso, este estudo teve como objetivo isolar, purificar e caracterizar o biopolímero obtido do exsudato de Spondias spp. (umbuguela), visando sua aplicação no desenvolvimento de filmes para curativos destinados ao tratamento de feridas. A goma de umbuguela (UAG) foi isolada por extração aquosa e purificada por precipitação etanólica (1:4 v/v), apresentando rendimento de extração de 50% ± 0,58 em relação à massa seca inicial do exsudato (Tabela 1). A composição química revelou baixo teor de cinzas (4,77 ± 0,02 %), exibiu 67,59 %, ± 0,33 de carboidratos totais, incluindo 20,34 ± 7,32 % de ácido urônicos e baixo teor de proteínas (1,44 ± 0,01 %), indicando caráter hidrofílico e boa solubilidade em água (%). A análise da composição monossacarídica evidenciou uma estrutura do tipo arabinogalactana, constituída predominantemente por arabinose (50 %) e galactose (27 %), com presença de ramificações laterais. As análises estruturais por espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FTIR) confirmaram a natureza polissacarídica da goma, enquanto a difração de raios X (DRX) revelou um padrão predominantemente amorfo. A elucidação estrutural por ressonância magnética nuclear (¹H e ¹³C NMR) permitiu identificar sinais anoméricos característicos. A cromatografia de permeação em gel (GPC) indicou massa molar média ponderal (Mw) de 1,71 × 10⁵ g·mol⁻¹ e índice de polidispersidade de 0,92, sugerindo distribuição relativamente homogênea das cadeias polissacarídicas. As análises térmicas por TG/DTG e DSC demonstraram que a UAG apresenta estabilidade térmica superior a 200 °C, com eventos de degradação iniciando-se em 23,42 °C e 245,83 °C, e transições térmicas compatíveis com gomas vegetais de elevada estabilidade. A temperatura de transição vítrea (Tg) foi observada em 97 °C, sendo influenciada pelo teor de umidade do material. De modo geral, os resultados indicam que a goma de Spondias spp. apresenta propriedades estruturais, físico-químicas e térmicas compatíveis com biopolímeros de interesse tecnológico. Essas características demonstram o potencial da UAG como matriz polimérica para o desenvolvimento de filmes biomédicos, especialmente para aplicações em sistemas de curativos destinados à cicatrização de feridas.