OBTENÇÃO DE NANOFIBRAS COM ATIVIDADE ANTIBACTERIANA A PARTIR DA GOMA DO CAJUEIRO MODIFICADA
Nanofibras, Curativos, Cicatrização
As lesões cutâneas ainda representam um grande desafio para a área da saúde, especialmente considerando que muitos curativos disponíveis são importados e apresentam alto custo. Esses dispositivos podem ser classificados como primários, quando aplicados diretamente sobre o tecido lesionado, ou bioativos, quando participam ativamente da cascata de cicatrização. Nesse contexto, sistemas de liberação tópica de fármacos apresentam elevada eficiência, pois evitam a circulação sistêmica e permitem a entrega direta do princípio ativo no local da ferida. Entre as técnicas mais utilizadas para obtenção de curativos avançados, destaca-se a eletrofiação, que utiliza alta tensão para formar nanofibras poliméricas com elevada área superficial e estrutura semelhante à matriz extracelular.
Além da incorporação de substâncias bioativas, os curativos devem favorecer adequada adesão ao leito da ferida, mantendo contato íntimo com o tecido, sem causar trauma na remoção, além de promover rápida cicatrização com o mínimo desconforto ao paciente. Dessa forma, a escolha da matriz polimérica é determinante para o desempenho do material. Nesse cenário, a goma de cajueiro (GC) surge como um material promissor para a obtenção de nanofibras, sendo relatada na literatura por suas diversas aplicações, incluindo a formação de filmes com propriedades terapêuticas. Além disso, trata-se de um biomaterial sustentável e de baixo custo.
Quanto à atividade antimicrobiana, nanopartículas de prata são amplamente reconhecidas pela eficácia contra bactérias multirresistentes. Assim, este estudo tem como objetivo obter nanofibras compostas por goma de cajueiro e nanopartículas de prata por meio da técnica de eletrofiação. As nanofibras serão caracterizadas por Difratometria de Raios X (DRX), Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR), Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), análises térmicas por Termogravimetria (TG) e Calorimetria Diferencial Exploratória (DSC), além de ensaio de intumescimento. A atividade antimicrobiana será avaliada frente a diferentes cepas bacterianas, visando verificar a eficácia do material como curativo bioativo para aplicações em cicatrização de feridas.