NEUROMODULACAO NAO INVASIVA PARA O TRATAMENTO DA FUNCAO MOTORA DE PESSOAS POS ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL:UMA UMBRELLA REVIEW
meta-análise; acidente vascular cerebral ; revisão sistemática.
Introdução: técnicas de estimulação cerebral não invasiva (NIBS, do inglês, non invasive brain stimulation), particularmente a estimulação magnética transcraniana repetitiva (rTMS, do inglês, repetitive transcranial magnetic stimulation) e a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS, do inglês, transcranial direct current stimulation), têm demonstrado benefício para a reabilitação de AVC. No entanto, revisões sistemáticas frequentemente chegam a conclusões conflitantes, ressaltando a necessidade de uma umbrella review. Objetivo: sintetizar, com base nos principais domínios da estrutura da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), as melhores evidências disponíveis sobre a eficácia e a segurança da NIBS para melhorar o comprometimento motor e a incapacidade após AVC. Métodos: foi realizada uma umbrella review (PROSPERO: CRD42021239577) que incluiu meta-análises de ensaios controlados que investigaram os efeitos da NIBS em pacientes pós-AVC, retirados do PubMed/MEDLINE no período de fevereiro de 2020 a julho de 2025. A qualidade metodológica foi avaliada usando o AMSTAR-2 e na avaliação da qualidade da evidência foi utilizado o GRADE-pro. Os resultados foram mapeados para os domínios de estrutura/função corporal e atividade da CIF. Resultados: Foram incluídos 56 estudos (com 2 a 48 ensaios primários cada; 54 a 1.654 participantes por meta-análise). Todos avaliaram exclusivamente rTMS e tDCS. A qualidade metodológica foi considerada alta ou moderada em 85,7% das meta-análises, enquanto em 25% dos estudos a qualidade da evidência foi classificada como baixa ou muito baixa. A aplicação da rTMS demonstrou benefícios nas atividades de vida diária (AVD) (Standardized Mean Difference (SMD) = –0,82; IC 95% –1,05 a –0,59), no comprometimento motor dos membros superiores (SMD = –0,32; IC 95% –0,55 a –0,09) e na mobilidade (SMD = –0,97; IC 95% –1,28 a –0,66). No entanto, apenas uma revisão envolvendo rTMS apresentou evidência de qualidade moderada para aAVD. Já para a tDCS foram observados pequenos efeitos no comprometimento motor (SMD = –0,22; IC 95% –0,32 a –0,12) e na atividade de membros superiores (SMD = –0,31; IC 95% –0,55 a –0,01), mas com evidências de qualidade muito baixa. . Um subconjunto menor de ensaios, entretanto, apontou um efeito mais robusto (SMD = –1,54; IC 95% –2,78 a –0,29). Os resultados para AVD e mobilidade com tDCS, porém, mostraram-se inconsistentes e na maioria das vezes não significativos. Conclusão: a rTMS esteve mais frequentemente relacionada a tamanhos de efeito moderados a altos nos desfechos de estrutura e função corporal, em especial na função neurológica geral. Em contrapartida, a tDCS apresentou apenas pequenos efeitos na recuperação motora, com evidência de muito baixa qualidade em razão da heterogeneidade, da imprecisão e da variabilidade dos protocolos utilizados. No domínio da atividade, os efeitos da NIBS foram menores, sendo a rTMS a técnica que demonstrou resultados mais consistentes para as AVD. Já os efeitos da tDCS mostraram-se em geral limitados e sustentados por evidências de baixa a muito baixa certeza.