CONTROLE POSTURAL, ATIVIDADE MUSCULAR ELETROMIOGRAFICA E ULTRASSONOGRAFICA E SINTOMAS EMOCIONAIS EM
INDIVIDUOS COM DOR LOMBAR CRONICA INESPECIFICA
Dor lombar; Controle Postural; Ansiedade; Depressão.
A dor lombar crônica inespecífica (DLCI) é altamente prevalente e representa a principal causa de incapacidade funcional a nível global. Alterações no padrão de ativação dos músculos do tronco em indivíduos com DLCI podem afetar o equilíbrio postural e associar-se a sintomas como ansiedade e depressão. Objetivo: Comparar parâmetros baropodométricos, eletromiográficos e ultrassonográficos entre indivíduos com dor lombar crônica inespecífica e sujeitos saudáveis. Método: Estudo transversal realizado entre março de 2023 e julho de 2025 com indivíduos com DLCI e controles saudáveis, nos laboratórios LACIRTEM e LACOM do Departamento de Fisioterapia (UFPE). Excluíram-se participantes com doenças musculoesqueléticas, neurológicas, reumatológicas, cardiorrespiratórias, gravidez, fibromialgia ou histórico recente de cirurgias/traumas. O estudo foi realizado com 72 participantes, alocados em dois grupos (n=36 cada). Resultados: A amostra final foi composta por 65 indivíduos (GDLC: n=35; GC: n=30). Observou-se diferença significativa apenas para ansiedade grave, mais prevalente no GDLC (p=0,007). Nos parâmetros baropodométricos, eletromiográficos e ultrassonográficos, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos (p>0,05), com exceção da atividade eletromiográfica do músculo eretor da espinha dorsal esquerda durante extensão com carga, que foi significativamente maior no GC (p=0,026). A variabilidade interindividual elevada pode ter contribuído para a ausência de padrões consistentes. No GDLC, a intensidade média da dor nos últimos sete dias foi de 6,0 ± 2,25 e a maioria apresentou incapacidade mínima (68,6%) e risco de mau prognóstico baixo (48,6%).No grupo com dor lombar, o ODI correlacionou-se com dor (r=0,608), Start Back (r=0,644), ansiedade (r=0,604) e depressão (r=0,424). A espessura do transverso e do multífido associou-se a variáveis clínicas e antropométricas (r=0,394 a 0,69). A pressão plantar e o centro de pressão correlacionaram-se com ansiedade (r até 0,871), enquanto a atividade eletromiográfica mostrou correlações negativas com ODI, IMC e ansiedade (r até -0,547). EMG e ultrassonografia não se correlacionaram.Conclusão: Os achados sugerem que a DLCI, de forma geral, não compromete significativamente o controle postural ou a ativação muscular. No entanto, padrões de correlação específicos entre variáveis clínicas, musculares e posturais, foram identificados, destacando a complexidade multidimensional da DLCI. Tais resultados apontam para a necessidade de futuras investigações que estratifiquem os pacientes em subgrupos fenotípicos distintos, considerando a variabilidade motora e os fatores emocionais associados.