ESTIMULAÇÃO TRANSAURICULAR DO NERVO VAGO E A ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSESPINAL NA MOBILIDADE FUNCIONAL DE PESSOAS COM DOENÇA DE PARKINSON
Doença de Parkinson, Estimulação magnética transespinal, Estimulação transauricular do nervo vago, Mobilidade funcional, Fisioterapia
Introdução:A Doença de Parkinson (DP) é um distúrbio neurodegenerativo progressivo caracterizado por alterações motoras, entre as quais os distúrbios da marcha se destacam por seu impacto negativo na mobilidade funcional, independência e qualidade de vida. Embora o tratamento farmacológico dopaminérgico seja considerado padrão-ouro, sua eficácia tende a reduzir-se ao longo do tempo. A fisioterapia é fundamental na reabilitação desses indivíduos; contudo, os ganhos funcionais frequentemente não se mantêm a longo prazo. Nesse contexto, técnicas de estimulação não invasiva do sistema nervoso têm emergido como estratégias adjuvantes promissoras, capazes de modular redes neurais distribuídas envolvidas no controle motor. Entre essas técnicas, destacam-se a estimulação magnética transespinal (tsMS) e a estimulação transauricular do nervo vago (taVNS), que, apesar de utilizarem diferentes modalidades físicas e alvos anatômicos, convergem funcionalmente na modulação de circuitos neurais relacionados à marcha e à mobilidade funcional. Objetivo: avaliar os efeitos da taVNS associada à fisioterapia sobre a mobilidade funcional de pessoas com DP e verificar se a taVNS apresenta eficácia não inferior à tsMS na reabilitação da mobilidade funcional dessa população. Métodos: a pesquisa será composta por dois estudos complementares. No Estudo 1, participantes com DP serão randomizados (1:1) para taVNS real ou sham, enquanto no Estudo 2 será realizado um ensaio clínico de não inferioridade, controlado e triplo-cego, comparando taVNS e tsMS, ambos associados à fisioterapia. Para ambos estudos, as avaliações ocorrerão em quatro momentos (T0, T10 e T15). Para ambos estudos, o desfecho primário será a mobilidade funcional (Timed Up and Go), e os desfechos secundários incluirão equilíbrio (miniBESTest e Biodex), função motora (TSL5 e MDS-UPDRS II–III), congelamento de marcha (FOG-Q), velocidade da marcha (teste de 10 m), percepção global de melhora e efeitos adversos. A taVNS será aplicada na concha cimba do pavilhão auricular esquerdo (25 Hz, 300 μs, 8 trens de 120 s, intervalo de 60 s, intensidade abaixo do limiar doloroso, total de 24 min), com estimulação sham de 30 s no mesmo local. A tsMS será aplicada com bobina em figura de oito posicionada longitudinalmente em T12–L1, com frequência de 5 Hz, 10 trens de 1 s, intervalo de 10 s, totalizando 50 pulsos a 120% do limiar motor de repouso, sendo a estimulação sham realizada com bobina desacoplada. Em ambos os estudos, as intervenções serão associadas a um protocolo padronizado de fisioterapia. Resultados esperados: espera-se que a taVNS associada à fisioterapia promova melhorias na mobilidade funcional de pessoas com DP quando comparada a fisioterapia isolada. Além disso, espera-se que a taVNS apresente efeitos não inferiores aos da tsMS na reabilitação dos sintomas motores, configurando-se como uma alternativa mais acessível e custo-efetiva