Masculinidades e Homeidades: o tornar-se homem a partir das narrativas sobre parcerias e práticas amorosas e sexuais
curso da vida; gênero; sexualidade; saúde sexual.
Esta pesquisa investiga os sentidos de ser homem produzidos por homens jovens ao longo do curso da vida, tomando as narrativas sobre práticas amorosas, sexuais e de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) como campo de análise da homeidade. Este objeto se configura a partir de uma literatura que aponta para uma relação entre homens e vulnerabilidade às IST’s. Trata-se de um estudo qualitativo, ancorado na psicologia co-construtivista, realizado na Região Metropolitana do Recife (RMR), por meio de entrevistas biográficas semiestruturadas com seis homens entre 18 e 29 anos, de diferentes marcadores sociais. A análise temática de conteúdo evidenciou que a sexualidade opera como espaço de validação da masculinidade, no qual desempenho e reconhecimento entre os homens se configuram enquanto marcas do sistema de gênero. Já a homeidade, são reinvenções da vida prática, o que inclui a sexualidade, que em geral acontecem diante das vulnerabilidades nas quais os homens se percebem. Observou-se que as práticas preventivas são orientadas predominantemente pelo medo da gravidez, enquanto as IST’s ocupam lugar secundário. As vulnerabilidades não decorrem da ausência de informação, mas da organização da vida sexual dos homens e da necessidade de manutenção da reputação. Conclui-se que a homeidade é construída de forma processual, marcada por tensões entre expectativas de invulnerabilidade e experiências concretas de medo e insegurança, apontando para a importância de políticas e estratégias de saúde que considerem os sentidos atribuídos pelos próprios homens às suas trajetórias.