Variação interanual nas variáveis microclimáticas e seus efeitos na riqueza e densidade de herbáceas e de regenerantes lenhosos de uma floresta tropical úmida
Microclima; Efeito de borda; Fragmentação florestal; Regeneração natural
A floresta atlântica possui um longo histórico de perturbação antrópica, o que levou a uma drástica redução de sua cobertura original. A maior parte dos remanescentes atuais possui tamanho reduzido e formato irregular, estando inseridos em matrizes agrícolas. Este estudo avaliou como os regenerantes respondem às variações microclimáticas (temperatura, umidade e luminosidade) em um fragmento de Floresta Atlântica ao longo de três anos consecutivos. Para isso, foram utilizadas 20 parcelas de 5x5 m, distribuídas aleatoriamente no fragmento, para amostragem dos regenerantes herbáceos e lenhosos e das variáveis abióticas. Observou-se variação sazonal e interanual na composição florística, com algumas espécies ocorrendo exclusivamente em uma das estações climáticas. Houve variação na luminosidade, temperatura e umidade relativa entre os anos e entre as estações. Apenas a temperatura e a umidade relativa tiveram efeito significativo sobre a riqueza de espécies e a densidade de herbáceas. Para os regenerantes lenhosos, o ano e a interação entre temperatura e umidade tiveram efeito significativo sobre a riqueza de espécies, enquanto para a densidade, apenas a temperatura mostrou influência, considerando-se o conjunto dos anos. Os resultados indicam que os atributos riqueza e densidade não são fortemente explicados pelas variáveis estudadas, mas essa ausência de significância pode ser decorrente do fato de a vegetação, em sua maior parte, apresentar preferência por áreas muito perturbadas. Além disso, outras variáveis não mensuradas podem exercer influência na riqueza e densidade de regenerantes