Diversidade, vulnerabilidade e conservação de hepáticas na Colômbia: impacto das mudanças climáticas e respostas funcionais em um hotspot mundial
Briófitas; Nicho ecológico; Endemismo; Refúgios climáticos; Diversidade funcional.
As mudanças climáticas aceleradas representam uma ameaça crescente à biodiversidade, particularmente para grupos sensíveis e pouco estudados, como as hepáticas. O objetivo geral desta tese foi avaliar, de forma integrada, os padrões de diversidade, endemismo, vulnerabilidade e conservação das hepáticas na Colômbia, considerando múltiplas escalas espaciais, cenários climáticos futuros e diferentes dimensões da biodiversidade. Analisamos os padrões espaciais de riqueza e endemismo, bem como vieses de amostragem, lacunas de conhecimento e a representatividade das espécies na rede de Áreas Protegidas. Realizamos a primeira avaliação nacional do status de conservação de 708 taxas no país com base nos critérios da IUCN. Avaliamos a vulnerabilidade climática em espécies epífilas (18 spp.) por meio de modelagem de nicho ecológico. Os resultados indicam que as regiões Andina e Pacífica concentraram os maiores valores de diversidade e endemismo, embora apresentem baixa cobertura de proteção e elevada proporção de espécies ameaçadas. 56% das espécies avaliadas encontra-se ameaçada ou com dados insuficientes, com riscos concentrados nos hotspots de endemismo. Para as espécies epífilas os resultados indicam perdas substanciais de adequabilidade ambiental, aumento do risco de extinção até o final do século e as áreas montanhosas e Áreas Protegidas emergem como potenciais refúgios climáticos. A análise integrada da diversidade taxonômica, funcional e filogenética revelou declínios consistentes sob cenários futuros, sendo atributos funcionais relacionados à retenção hídrica e à reprodução assexuada fundamentais para a resiliência das espécies epífilas.