VIVÊNCIAS DE PRAZER E SOFRIMENTO NO RETORNO DA LICENÇA MATERNIDADE: UM ESTUDO COM SERVIDORAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Psicodinâmica do Trabalho. Organização do Trabalho. Licença Maternidade. Servidoras Públicas. Subjetividade no Trabalho.
O retorno ao trabalho após a licença maternidade configura-se como um momento crítico na trajetória profissional das servidoras públicas, marcado pela necessidade de reorganização das rotinas, reconfiguração da identidade profissional e intensificação de demandas subjetivas e institucionais. No contexto das universidades federais, caracterizadas por forte normatização, hierarquia e múltiplas exigências administrativas e acadêmicas, esse retorno tende a evidenciar tensões entre o trabalho prescrito e a atividade real, com impactos diretos nas vivências de prazer e sofrimento no trabalho. À luz da Psicodinâmica do Trabalho, este estudo objetivou analisar a relação entre organização do trabalho e vivências de prazer-sofrimento para servidoras públicas da UFPE no retorno da licença maternidade. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, com delineamento exploratório-descritivo, utilizando entrevistas semiestruturadas com servidoras que vivenciaram o retorno ao trabalho após a licença maternidade. Os dados foram analisados por meio da Análise de Núcleos de Sentido, permitindo elucidar os significados atribuídos pelas participantes às suas experiências laborais. Os resultados evidenciaram que a organização do trabalho, marcada por rigidez normativa, intensificação de demandas e desigualdade na implementação de políticas institucionais, contribui para a emergência de sofrimento psíquico, mobilizando estratégias defensivas individuais e coletivas. Ao mesmo tempo, elementos como reconhecimento simbólico, flexibilização de jornada, apoio das chefias e cooperação entre pares mostraram-se fundamentais para a transformação do sofrimento em prazer e engajamento no trabalho. Concluiu-se que a gestão de pessoas exerce papel central na mediação entre políticas institucionais e a experiência subjetiva das servidoras, sendo necessária a adoção de práticas mais sensíveis à maternidade, à subjetividade e à saúde mental, a fim de promover ambientes de trabalho mais saudáveis, equitativos e sustentáveis no âmbito da gestão pública universitária.