INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NA FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS A PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Violência contra a mulher, Inovação tecnológica, Análise Preditiva, Políticas públicas, Ciclo de Políticas Públicas.
A violência contra a mulher é um problema social de escala global que
persiste apesar dos avanços legislativos e das políticas públicas. No Brasil, os
dados revelam crescimento nos registros de violência, reforçando a necessidade
de estratégias mais eficazes e inovadoras para sua prevenção. Nesse contexto,
a inovação tecnológica surge como instrumento promissor para aprimorar a
gestão pública, oferecendo novas possibilidades para a formulação e o
monitoramento de políticas de enfrentamento. Com base nesse cenário, o
presente estudo investigou o uso de análise preditiva na etapa de Formulação
de Alternativas do modelo Policy Cycle, com foco na política de prevenção da
violência contra a mulher. A pesquisa combinou revisão da literatura, análise
exploratória de dados (EDA) e modelagem preditiva, utilizando o algoritmo
Random Forest Regressor para identificar fatores socioeconômicos,
demográficos, educacionais e temporais associados à incidência da violência de
gênero. Os resultados revelaram convergência entre as dimensões teóricas
identificadas na literatura e os achados empíricos, evidenciando a relevância de
variáveis como faixa etária, contexto urbano, nível educacional e condição
econômica. A modelagem apresentou métricas consistentes, que demonstram
equilíbrio entre ajuste e capacidade de generalização, indicando que o modelo é
capaz de estimar tendências e reproduzir padrões regionais de forma coerente.
As variáveis mais influentes destacaram a concentração da violência entre
mulheres adultas, especialmente em regiões metropolitanas, onde há maior
estrutura institucional e facilidade de registro formal das ocorrências. Os
resultados obtidos reforçam o potencial das técnicas de aprendizado de máquina
como instrumentos de gestão pública baseada em evidências, oferecendo
subsídios concretos para o planejamento de políticas públicas adaptadas às
especificidades regionais. Conclui-se que a integração entre dados, ciência e
gestão pública constitui um caminho promissor para o fortalecimento das
estratégias de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.