Espiritualidade no meio digital: uma análise do bem-estar do indivíduo perante consumo de conteúdo virtual compartilhado por influenciadores da fé
Conteúdo espiritual; Bem-estar eudaimônico do consumidor; Influenciador digital da fé; Consumo sagrado.
Este estudo investiga o consumo do sagrado nas mídias sociais, com foco no conteúdo espiritual
produzido por padres influenciadores digitais da fé. O objetivo é compreender como esse
conteúdo impacta o bem-estar eudaimônico dos consumidores de conteúdo religioso. A
pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas com 20
consumidores desse tipo de conteúdo e na fotoelicitação de 20 postagens de padres
influenciadores. A coleta de dados foi aprovada por Comitê de Ética. Para a análise, utilizaram-
se a Análise Temática, aplicada às narrativas dos participantes, e a Análise Semiótica de
Imagens Paradas, aplicada às postagens. Os resultados indicam que o conteúdo espiritual exerce
influência direta na formação identitária e nas práticas cotidianas dos consumidores. Os
participantes foram agrupados em três perfis intitulados iniciantes, permanentes e transitáveis
conforme o nível de vínculo religioso. Observou-se que os sentidos atribuídos à espiritualidade
são orientados com base nestes perfis, conduzindo os sujeitos a performances sociais e modos
de vivência da fé específicas. Em relação ao bem-estar eudaimônico, destacam-se: (i)
autoaceitação, expressa na demonstração pública da fé, integração da identidade religiosa à vida
cotidiana e atribuição de conquistas ao auxílio divino; (ii) relações positivas, evidenciadas pela
participação em grupos on-line que promovem interação, apoio emocional e compartilhamento
de experiências; e (iii) crescimento pessoal, propósito de vida, domínio ambiental e autonomia,
associados à busca por estabilidade emocional, acompanhamento de metas e valorização do
protagonismo individual na vivência espiritual. Os achados também mostram que os padres
influenciadores atuam como modelos de comportamento, mediadores de cuidado e agentes que
incentivam reflexão, participação e sacralização do ambiente digital. O conteúdo espiritual
molda práticas e percepções dos consumidores, especialmente quando há identificação com
narrativas de superação e altruísmo, mas também pode gerar mal-estar quando se mostra
dissonante das crenças, valores e experiências vividas pelo consumidor. Como implicação, o
estudo evidencia o papel estratégico das mídias sociais na difusão de uma espiritualidade mais
autônoma, expressiva e adaptada ao ambiente digital, além de indicar como instituições
religiosas incorporam práticas de marketização para manter relevância em contextos altamente
participativos.