UMA ANÁLISE HISTÓRICO-DECOLONIAL POLIFÔNICA DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DO CENTRO ACADÊMICO DO AGRESTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Ensino de administração; Ensino de gestão; História; Decolonial.
Esta dissertação teve como objetivo compreender como se deu a criação e a
implementação do curso de administração do Centro Acadêmico do Agreste a partir
de uma análise histórico-decolonial polifônica. Para tal, foi feita uma pesquisa de
abordagem qualitativa atrelada à co-construção de histórias orais temáticas oriundas
de vinte entrevistas semiestruturadas e pesquisa documental. Os resultados revelam
que a criação e implementação do curso não configurou uma fratura imediata ao poder
colonial que centraliza a produção do conhecimento nos grandes centros urbanos e
nas capitais. Na verdade, o curso de administração e o campus se mostraram, ao
longo da análise, como um rearranjo local a partir da lógica moderno-colonial. A
mesorregião do Agreste de Pernambuco, onde o curso e o campus em questão estão
localizados, foi institucionalizado na condição de local a ser “modernizado”,
“capacitado” “desenvolvido”, sustentando-se desse modo a hierarquização centro-
periferia que, ao longo da história, marginalizou conhecimentos produzidos fora dos
centros metropolitanos e fora dos referenciais dominantes do saber científico. A
análise histórica decolonial polifônica revelou embates por poder simbólico e
institucional no interior do curso, expressos em conflitos entre docentes mais antigos
e recém-chegados; com diferenças geracionais e de gênero; sujeitos engajados em
debates críticos e hegemônicos; e entre saberes do mainstream acadêmico e
populares. Apesar disso, o estudo identifica fissuras importantes como a entrada de
estudantes do interior; políticas de ação afirmativa e a presença de docentes críticos,
ainda que tais inciativas se apresentem frágeis, recorrentemente cerceados pela
racionalidade institucional dominante. Conclui-se que a criação e a implementação do
curso de Administração do Campus Caruaru constitui um fluxo caracterizado pela
natureza complexa e contraditória no contexto em que a colonialidade se reestabelece
sob a narrativa de caráter expansionista e da dinamização do desenvolvimento local,
manifestada como pressuposto indispensável, mas notoriamente limitado para o
redesenho do ensino de Administração.