A CONTRIBUIÇÃO EMPRESARIAL PARA O CONSUMO SUSTENTÁVEL: Um estudo a partir da percepção ambiental e das operações de restaurantes em Caruaru (PE)
Percepção Ambiental. Sustentabilidade. Desenvolvimento Sustentável. Consumo Sustentável.
A sustentabilidade, ao articular o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, inclusão social
e proteção ambiental, tem no consumo e na produção sustentáveis um de seus principais eixos
de transformação dos padrões contemporâneos de consumo. Nesse contexto, a percepção
ambiental assume papel central ao permitir compreender como indivíduos e organizações
interpretam, internalizam e respondem às questões socioambientais, influenciando decisões
gerenciais e práticas cotidianas. No setor de alimentação fora do lar, essa discussão torna-se
particularmente relevante, uma vez que restaurantes e similares ocupam posição estratégica na
interface entre produção, consumo e geração de impactos ambientais, especialmente em
contextos regionais marcados por limitações econômicas, estruturais e culturais. Este estudo
tem como objetivo analisar a percepção ambiental e as ações de gestores de restaurantes e
similares no Agreste de Pernambuco, investigando de que modo essas percepções se relacionam
com práticas associadas ao consumo sustentável no contexto do desenvolvimento sustentável.
Adotou-se uma abordagem qualitativa, por meio de um estudo de casos múltiplos, utilizando
entrevistas semiestruturadas como principal técnica de coleta de dados. A análise dos dados foi
conduzida a partir da análise de conteúdo, orientada por categorias analíticas inspiradas no
referencial de consumo sustentável proposto por Silva & Cândido (2014), adaptado às
especificidades empíricas do setor de alimentação fora do lar. Os resultados indicam que a
percepção ambiental dos gestores se manifesta de forma heterogênea, variando quanto ao grau
de compreensão, abrangência e capacidade de problematização. Observa-se que, embora a
temática ambiental esteja presente no discurso da maioria dos entrevistados, essa percepção
nem sempre se traduz em uma visão sistêmica capaz de orientar práticas sustentáveis de forma
integrada. As ações identificadas concentram-se, sobretudo, em práticas de ecoeficiência e em
práticas próprias de consumo, como a redução de desperdícios, o controle do uso de água e
energia e o gerenciamento de resíduos, sendo predominantemente motivadas por critérios
econômicos e operacionais. Constata-se, ainda, que os critérios de escolha de fornecedores e o
diálogo com stakeholders permanecem orientados majoritariamente por uma lógica
mercadológica, na qual aspectos como preço, qualidade, confiabilidade e regularidade da
entrega se sobrepõem a critérios ambientais e sociais. Assim, o consumo sustentável se
manifesta de forma parcial e assimétrica, evidenciando que sua efetiva consolidação depende
não apenas da percepção ambiental individual dos gestores, mas também de condições
organizacionais, relacionais e estruturais que viabilizem a continuidade das práticas
sustentáveis.