ESTUDO EXPERIMENTAL DO POTENCIAL TÓXICO E DO EFEITO LAXANTE DO PÓLEN APÍCOLA E SUA FRAÇÃO INSOLÚVEL SOBRE O TRÂNSITO INTESTINAL DE RATOS WISTAR
Constipação intestinal; fibras insolúveis; pólen apícola; Cocos nucifera; toxicidade oral; trânsito intestinal.
A constipação intestinal é um distúrbio funcional multifatorial caracterizado por alterações da
motilidade colônica, evacuações infrequentes, fezes endurecidas e esforço evacuatório excessivo,
frequentemente associado à ingestão insuficiente de fibras alimentares. As fibras exercem papel central
na regulação do trânsito intestinal, sobretudo as fibras insolúveis, que aumentam o volume e a umidade
fecal, promovendo estímulo ao peristaltismo intestinal. Nesse contexto, o pólen apícola constitui uma
matriz natural de elevada complexidade, composta por carboidratos, proteínas, lipídios e fibras
alimentares, cuja composição varia conforme a origem botânica. Entre os pólens ainda pouco
investigados sob a perspectiva funcional e toxicológica, destaca-se o pólen apícola de Cocos nucifera
(PACN), para o qual se postula relevância funcional no trato gastrointestinal. Diante disso, o objetivo
desta pesquisa foi caracterizar e avaliar o potencial tóxico e o efeito laxante do PACN e de sua fração
insolúvel (FIPA). Trata-se de um estudo experimental conduzido em modelo animal, no qual a FIPA
foi obtida por um processo de isolamento inédito desenvolvido nesta pesquisa, objeto de proteção
intelectual. O PACN e a FIPA foram caracterizados quanto às propriedades físico-químicas e à
composição bromatológica. A segurança foi avaliada pelos ensaios de toxicidade oral aguda e
toxicidade oral por doses repetidas (90 dias), seguindo as diretrizes internacionais da OECD (425 e
408). O efeito funcional foi avaliado por modelos experimentais de trânsito intestinal com carvão
ativado e pela análise da eliminação fecal em diferentes intervalos de tempo (24, 48 e 72h), em animais
saudáveis e em modelo de constipação induzida por loperamida. Os resultados obtidos até o momento
indicam que a FIPA apresenta perfil bromatológico distinto do PACN, caracterizado por modificações
na composição química após o fracionamento, com variações nos teores de proteína total e extrato
etéreo, além da redistribuição das frações fibrosas em função das diferentes condições de pH
empregadas na metodologia. Na caracterização físico-química, a FIPA apresentou maior capacidade
de retenção de água e maior capacidade de expansão em comparação ao PACN, indicando atuação
predominantemente por mecanismos físico-químicos. A avaliação da adsorção de colesterol em
condições simuladas do trato gastrointestinal evidenciou comportamento dependente do pH e da matriz
avaliada. Na toxicidade oral aguda, não foram observadas mortes nem sinais clínicos de toxicidade
sistêmica. Os dados referentes à toxicidade por doses repetidas encontram-se em fase de análises,
enquanto as avaliações funcionais do trânsito intestinal estão em etapa final de execução experimental.
Os resultados preliminares supracitados, direcionam a concluir que o PACN e a FIPA apresentam
propriedades importantes funcionais além do perfil de segurança favorável evidenciado a curto prazo.
A conclusão dos resultados em andamento, são necessários para definir e permitir concluir o perfil de
segurança de uso prolongado e seu potencial aplicação como nutracêutico com possível efeito laxante.