PERFIL METABOLÔMICO URINÁRIO COMO PREDITOR DO TEMPO DE PERMANÊNCIA EM UTI APÓS CIRURGIA CARDIOPEDIÁTRICA
Cardiopatias Congênitas; Metabolômica; Cirurgia Cardíaca Pediátrica; Unidade de Terapia Intensiva; Espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear.
Introdução: As cardiopatias congênitas (CC), importantes causas de morbimortalidade pediátrica, exigem cirurgias complexas cujos desfechos são pouco identificados por escores anatômicos como o RACHS-1. Nesse cenário, a metabolômica destaca-se por permitir a identificação de padrões metabólicos em fluidos biológicos, incluindo a urina, capazes de refletir o estado metabólico pré-operatório e aprimorar a predição de desfechos clínicos, como o tempo de permanência em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Objetivo: Desenvolver modelo metabolômico de amostras de urina de crianças submetidos à cirurgia cardiopediátrica visando estimar tempo de permanência na UTI. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo observacional, analítico, de coorte prospectiva e translacional, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco, realizado com crianças de até 11 anos submetidas à correção cirúrgica eletiva de CC. O estudo envolveu a coleta de dados clínicos e sociodemográficos dos prontuários eletrônicos, incluindo variáveis como estratificação de risco cirúrgico (RACHS-1), estado nutricional (Strongkids), tempos de circulação extracorpórea (CEC) e de clampeamento aórtico (CLAMP-AO), bem como a obtenção de amostra de urina no período pré-operatório. Para a análise metabolômica, as amostras foram submetidas à espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio (RMN de 1H), em espectrômetro de 400 MHz, utilizando a sequência de pulsos NOESY, seguida de processamento espectral e aplicação de métodos multivariados não supervisionado. Paralelamente, a análise estatística dos dados clínicos foi conduzida com a aplicação dos testes não paramétricos de Mann–Whitney e correlação de Spearman, visando investigar associações entre as variáveis clínicas e o tempo de permanência na UTI. Resultado Preliminares e Discussão: A análise compreendeu 16 crianças submetidas à cirurgia cardíaca e exibiu correlação negativa moderada e significativa entre idade e tempo de permanência na UTI (ρ = −0,54; p = 0,030), além de efeitos clínicos moderados do risco nutricional (STRONGkids), da complexidade cirúrgica (RACHS-1) e dos tempos intraoperatórios de CEC e CLAMP-AO. Nas análises metabolômicas, HCA e PCA identificaram dois grupos distintos com separação estatisticamente significativa na PC2 (p = 0,041). Conclusão: Os resultados preliminares indicam que a metabolômica urinária pré-operatória pode auxiliar na predição do tempo de permanência em UTI em crianças submetidas à cirurgia cardíaca, complementando os escores clínicos tradicionais na estratificação de risco perioperatório.