AVALIAÇÃO DO PADRÃO ALIMENTAR E ESTADO NUTRICIONAL EM PACIENTES COM RINITE ALÉRGICA ATENDIDOS EM UM CENTRO DE REFERÊNCIA
Alergia e Imunologia; consumo alimentar; antropometria; análise de componentes principais.
A rinite alérgica é uma doença inflamatória crônica da mucosa nasal, de elevada prevalência e impacto na qualidade de vida, podendo estar relacionada a fatores ambientais, imunológicos, comportamentais e nutricionais. Foi realizado um estudo transversal, descritivo e analítico em adolescentes e adultos de 12 a 60 anos, com o objetivo investigar a qualidade nutricional da dieta e o estado nutricional de pacientes com rinite alérgica atendidos em serviço de referência. Foram incluídos indivíduos com diagnóstico confirmado de rinite alérgica. Avaliaram-se dados sociodemográficos, consumo por Questionário de Frequência Alimentar adaptado, estado nutricional, e características clínicas. Os padrões alimentares foram identificados por Análise de Componentes Principais, com rotação Varimax, e as associações com a presença de crises, foram avaliadas por regressão logística univariada e modelos ajustados por idade e sexo. Foram analisados 81 indivíduos, maioria adultos, sexo feminino e residentes em área urbana. Em relação ao estado nutricional, observou-se maior frequência de eutrofia (44,4%), seguida de excesso de peso (37,0%) e baixo peso (18,5%). A análise de componentes principais identificou três padrões alimentares, que explicaram conjuntamente 54,2% da variância total do consumo: padrão ocidental, padrão saudável e padrão tradicional. A alta adesão ao padrão ocidental foi mais frequente entre adolescentes e indivíduos mais jovens, enquanto a alta adesão ao padrão saudável foi maior entre adultos. Não foram observadas associações estatisticamente significativas entre os padrões alimentares, indicadores antropométricos e presença de crises de RA. No modelo ajustado, sexo masculino e maior idade associaram-se à menor chance de crises. Conclui-se que os pacientes com rinite alérgica avaliados apresentaram diferentes padrões alimentares, influenciados principalmente pela idade e pelo grupo etário. Os padrões alimentares caracterizaram a qualidade global da dieta, mas não explicaram isoladamente as manifestações clínicas da RA, necessitando de estudos futuros com amostras maiores, delineamento longitudinal e inclusão de marcadores clínicos e inflamatórios.