PERFIL ANTROPOMÉTRICO E RISCO NUTRICIONAL EM CRIANÇAS COM ASMA ADMITIDAS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: ASSOCIAÇÃO COM O TEMPO DE INTERNAMENTO E A ALBUMINA SÉRICA
Asma; Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica; Avaliação nutricional; Pediatria; Distúrbio nutricional
A asma constitui uma das doenças crônicas mais prevalentes na infância no Brasil, sendo associada a elevadas taxas de hospitalização, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTI). Esse estudo retrospectivo do tipo série de casos teve como objetivo analisar a associação entre o perfil antropométrico e o risco nutricional com o tempo de internamento e os níveis de albumina sérica em crianças asmáticas admitidas para internamento em uma UTI pediátrica da cidade do Recife, no período de janeiro a dezembro de 2023. O risco nutricional foi avaliado pela ferramenta Nutritional Screening Tool for Risk on Nutritional Status and Growth (Strongkids), aplicada em até 48 horas após a internação hospitalar, permitindo a classificação dos pacientes em baixo, moderado ou alto risco nutricional. Foram avaliados os parâmetros antropométricos peso, estatura e circunferência do braço (CB), sendo calculados os escores-Z dos índices peso para idade (P/I), índice de massa corporal para idade (IMC/I), estatura para idade (E/I) e, para crianças <5 anos, peso para estatura (P/E), utilizando o software WHO Anthro Plus e os pontos de corte recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A CB foi avaliada como adequação ao percentil 50 segundo a classificação de Frisancho (1990). Como desfechos foram avaliados o tempo de internamento e a albumina sérica. A amostra foi composta por 61 crianças asmáticas. Os resultados demonstraram baixa estatura em 11,48%, sendo uma frequência superior a encontrada em crianças não asmáticas e muito longe do limiar de controle de 2,3% recomendado pela OMS. Na análise de regressão de Poisson foi encontrada associação significativa entre o baixo P/E e o maior tempo de internamento. Além disso, crianças classificadas como alto risco nutricional pela Strongkids apresentaram aproximadamente o dobro do risco de maior tempo de internação. Da mesma forma, o risco nutricional médio também se associou ao aumento do tempo de internamento. As demais variáveis antropométricas não apresentaram associação significativa com esse desfecho de interesse. Para o desfecho níveis séricos de albumina, a adequação da CB demonstrou associação significativa para a categoria de excesso de peso, indicando maiores níveis de albumina nessa categoria. Por outro lado, o risco nutricional pela Strongkids apresentou associação inversa com os níveis de albumina. Crianças classificadas com alto risco nutricional apresentaram menores níveis de albumina. Os achados evidenciam a relevância da avaliação e do monitoramento nutricional em pacientes pediátricos acometidos de asma em terapia intensiva.