Análise comparativa das preferências terapêuticas entre médicos e pacientes com doenças inflamatórias intestinais e espondiloartrites axiais
Doenças inflamatórias intestinais; espondiloartrite axial; preferências terapêuticas.
Introdução: As Doenças Inflamatórias Intestinais e a Espondiloartrite Axial são doenças imunomediadas crônicas, com alta morbidade e prevalência crescente, além de elevada complexidade terapêutica e múltiplas opções de tratamento. A tomada de decisão terapêutica nessas condições envolve aspectos clínicos, prognósticos e de acesso, mas também dimensões relacionadas à autonomia do paciente e à decisão compartilhada. Objetivo: Avaliar a decisão terapêutica entre médicos e pacientes com Doenças Inflamatórias Intestinais e Espondiloartrite Axial atendidos no Sistema Único de Saúde. Métodos: Estudo observacional, transversal e comparativo, realizado em centro terciário de referência. Os participantes responderam a instrumentos estruturados para avaliação de características sociodemográficas, clínicas, preferências terapêuticas, orientação médica recebida e percepção sobre participação na decisão terapêutica. Realizou-se análise estatística descritiva e comparativa entre os grupos. Resultados: Foram incluídos 37 pacientes com DII e 40 com EspondiloartriteAxial, além de 28 médicos. Observou-se divergência entre médicos e pacientes quanto às preferências terapêuticas, especialmente no que se refere à via de administração e ao peso atribuído aos efeitos adversos. Embora a maioria dos pacientes relate ter recebido orientação médica sobre as opções disponíveis, a percepção de participação ativa na decisão mostrou-se variável entre os grupos. Médicos tendem a priorizar critérios técnicos e diretrizes clínicas, enquanto pacientes demonstram maior valorização de aspectos práticos e individuais do tratamento. Conclusão: A decisão terapêutica apresenta diferenças relevantes entre médicos e pacientes, evidenciando a necessidade de fortalecimento da decisão compartilhada. Estratégias que ampliem a comunicação e valorizem a autonomia do paciente podem contribuir para maior alinhamento terapêutico e potencial melhoria de desfechos clínicos.