AVALIAÇÃO PRÉ-CLÍNICA DA SEGURANÇA DE USO E EFICÁCIA FARMACOLÓGICA DE ÓLEOS FIXOS DE MORINGA OLEIFERA LAM. E/OU PERSEA AMERICANA MILL. COMO CARREADORES DE HIDROXIAPATITA DE CÁLCIO EM AFECÇÕES ODONTOLÓGICAS
Óleos vegetais; Toxicidade; Periodontite; Regeneração óssea; Hidroxiapatita.
As doenças periodontais caracterizam-se por inflamação crônica e perda óssea alveolar, havendo limitações quanto à regeneração tecidual previsível e à disponibilidade de terapias adjuvantes seguras e eficazes. Embora a hidroxiapatita de cálcio (HA) seja amplamente empregada como biomaterial osteocondutor e biocompatível, seu uso isolado apresenta limitações na modulação da resposta inflamatória. Nesse contexto, óleos vegetais fixos de Moringa oleifera Lam. e Persea americana Mill., ricos em compostos com potencial anti-inflamatório e cicatrizante, destacam-se como carreadores lipídicos promissores e biomateriais farmacologicamente ativos. Entretanto, ainda são escassos os estudos pré-clínicos que avaliem a segurança e a eficácia de sistemas baseados na associação entre HA e óleos vegetais fixos. Desta forma objetivou-se investigar a segurança de uso e a eficácia farmacológica da HA carreada por óleos vegetais fixos no tratamento de afecções odontológicas em modelo murino, com potencial aplicação translacional em odontologia e biomedicina. Trata-se de estudo pré-clínico, envolvendo ensaios in vitro e in vivo, aprovado pelo CEUA-UFPE (no 005/2024). A citotoxicidade dos óleos fixos de moringa (OFM), abacate (OFA) e da combinação de ambos (OFAM) foi avaliada pelo ensaio MTT em fibroblastos L929 (1,5–100 μM). A toxicidade oral aguda foi determinada pelo método Up-and-Down (OECD 425) em ratos Wistar (2000 mg/kg), utilizando óleo de soja como controle. A reatividade dérmica foi analisada após administração subcutânea de HA (48 mg) carreada pelos óleos nas proporções (m:m) 1:1,5; 1:2,0 e 1:2,5, com avaliação macroscópica da formação de granulomas aos 15 e 30 dias. No modelo de periodontite experimental, os animais foram tratados por via oral durante oito dias com OFM, OFA ou OFAM (75, 150 ou 300 mg/kg), utilizando celecoxibe (20 mg/kg) como controle. Realizou-se contagem leucocitária periódica e, após a eutanásia, análise macroscópica e histopatológica do incisivo central inferior, com mensuração da espessura dentinária. No modelo de defeito ósseo alveolar, avaliou-se a eficácia da HA carreada pelos óleos OFM, OFA ou OFAM na proporção de (2:3; m:m), com análise por microtomografia computadorizada (Micro-CT) com 60 dias. OFM, OFA e OFAM não apresentaram citotoxicidade (viabilidade celular > 90%) e demonstraram baixa toxicidade oral aguda (LD50 > 2000 mg/kg). Na avaliação de reatividade dérmica, observaram-se variações dependentes da proporção e do sexo, com menor formação de granuloma em grupos específicos aos 15 e 30 dias, destacando-se a proporção 1:2,0 para OFA e 1:2,0 para OFM no período tardio. No modelo de periodontite, o OFM (300 mg/kg) apresentou maior atividade anti-inflamatória, enquanto a dose de 75 mg/kg mostrou efeito comparável ao controle positivo na redução da perda óssea alveolar. No modelo de defeito ósseo, a HA carreada por OFM e OFAM promoveu maior estabilização e preenchimento ósseo em comparação aos demais grupos. Os óleos fixos avaliados apresentaram perfil de segurança adequado. A eficácia farmacológica foi mais evidente para o OFM, isoladamente ou associado ao OFA, tanto na modulação inflamatória quanto na regeneração óssea, sustentando seu potencial como alternativa promissora para aplicações odontológicas e regenerativas.