PREVALÊNCIA E FATORES DE RISCO ASSOCIADOS À INFECÇÃO PELO HTLV-1/2 EM PACIENTES NEUROLÓGICOS
ACOMPANHADOS NO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFPE NO PERÍODO DE 2024 A 2025
Vírus Linfotrópico T Humano Tipo 1; Distúrbios neurológicos; Mielopatia Associada ao HTLV-I; Epidemiologia
A infecção pelo vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV) está associada a um amplo espectro de manifestações neurológicas, incluindo condições que podem preceder o desenvolvimento da mielopatia associada ao HTLV-1/paraparesia espástica tropical. Este estudo transversal analítico teve como objetivo estimar a prevalência da infecção pelo HTLV-1/2 e descrever características sociodemográficas, socioeconômicas, comportamentais e clínicas associadas entre pacientes com distúrbios neurológicos acompanhados no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, entre 2024 e 2025. Um total de 300 pacientes foi submetido à triagem sorológica por ensaio imunoenzimático (ELISA), com confirmação molecular por reação
em cadeia da polimerase para amostras positivas ou indeterminadas. Três pacientes testaram positivo para HTLV-1, resultando em uma prevalência geral de 1,0%. Todas as pessoas positivas para HTLV-1 eram mulheres, com idades entre 43 e 72 anos, com baixa escolaridade e renda. As análises univariadas identificaram associações significativas com uso de drogas injetáveis, histórico de transfusão sanguínea e conhecimento prévio sobre o HTLV, incluindo histórico familiar. Do ponto de vista clínico, as pacientes positivas para HTLV-1 apresentaram manifestações neurológicas heterogêneas, variando desde disfunção urinária e comprometimento sensitivo-motor dos membros inferiores até sintomas musculoesqueléticos e inflamatórios, compatíveis com envolvimento neurológico precoce ou intermediário. Esses achados destacam a presença da infecção pelo HTLV-1
entre pacientes neurológicos e reforçam a importância da triagem direcionada nessa população. A identificação precoce do HTLV-1/2 pode contribuir para o aprimoramento do manejo clínico e para o fortalecimento de estratégias de saúde pública voltadas à prevenção da progressão da doença e à redução do subdiagnóstico em regiões endêmicas.