AVALIAÇÃO IN VITRO DA INFLUÊNCIA DO ANTÍGENO SOLÚVEL DOS OVOS DO SCHISTOSOMA MANSONI NA MEMÓRIA IMUNOLÓGICA INATA FRENTE AO SARS-CoV-2
Esquistossomose; Citocinas; SARS-CoV-2; Monócitos; Imunidade trenada.
A imunidade inata em resposta ao Schistosoma mansoni e ao SARS-CoV-2 é uma incógnita
ao considerar os possíveis efeitos dos antígenos parasitários em pós-infecções virais. Neste
contexto, os monócitos produzem citocinas pró-inflamatórias como IL-6, TNF-α, IL-1β, IL-
10 e quimiocinas em concentrações maiores frente a um segundo estímulo, seja este
homólogo ao primerio ou não-relacionado (memória treinada). Contudo, não é sabido se
antígenos parasitários são indutores de imunidade treinada. Sendo assim, neste estudo, foi
avaliado se existe diferença entre os níveis de citocinas pró-inflamatórias tipo 1 (IL-6, TNF-
α), tipo Th2 (CCL5) ou perfil regulatório (IL-10) no sobrenadante de cultura de monócitos
previamente estimulados por SEA (20 ng/mL; 24 horas; 1º estímulo) e em contato posterior
com SARS-Cov-2 (1 ng/mL; 3 dias depois; 2º estímulo) de indivíduos de área endêmica para
esquistossomose (IgG+ para SEA/SWAP) e de indivíduos de área não endêmica (IgG-). A
dosagem de citocinas foi realizada por CBA e foi possível observar que o 1º estímulo com
SEA induziu produção maior de TNF e IL-10, nos indivíduos IgG+ em comparação àqueles
IgG-. Houve produção basal (apenas meio) de IL-6 e CCL5 e não houve diferença nos níveis
destas citocinas quando os monócitos foram estimulados com SEA. O segundo estímulo com
SARS-Cov-2 não induziu a produção de TNF e IL-10, mas houve menor produção de IL-6 e
CCL5, com ou sem o prévio estímulo com SEA, nos dois grupos de estudo. Então, nas
condições de cultivo utilizadas, embora o SEA tenha potencial de estimular citocinas pró- e
anti-inflamatórias em monócitos em indivíduos previamente sensibilizados (memória treinada
homóloga), não foi capaz de alterar a produção destas citocinas em resposta aos antígenos
virais (memória treinada heteróloga).