Pessoas trans e pessoas com deficiência nas práticas corporais: trajetórias de vida, condições simbólicas e institucionais no programa academia da cidade de Recife-PE
Práticas corporais, pessoas com deficiência, pessoas trans, inclusão social, promoção da saúde
As práticas corporais constituem importante estratégia de promoção da saúde e são
reconhecidas como direito fundamental. Apesar da ampliação de políticas públicas voltadas
ao acesso a essas práticas, pessoas trans e pessoas com deficiência apresentam baixa
participação. Este estudo objetivou analisar convergências e divergências entre percepções
de pessoas trans, pessoas com deficiência, gestores e professores acerca do acesso e
permanência no Programa Academia da Cidade do Recife-PE. Trata-se de pesquisa qualitativa
de desenho etnográfico, no campo das Ciências Sociais e Humanas em Saúde. A produção de
dados incluiu observação participante em três polos do programa, 21 entrevistas
semiestruturadas com professores, gestores, usuários e não usuários, e análise documental
de políticas e normativas. Os dados foram interpretados por condensação de significados e
triangulados com registros etnográficos e documentais. Os resultados indicam que a
participação de pessoas trans e com deficiência se produz na interseção entre trajetórias de
vida, dimensões simbólicas de acesso e condições institucionais dos serviços. As trajetórias
revelam experiências de exclusão e ausência de adaptações pedagógicas, sobretudo na
educação física escolar, repercutindo na relação com práticas corporais na vida adulta. A
permanência no programa depende de condições materiais, como acessibilidade, diretrizes
institucionais, educação permanente e comunicação, além de relações de pertencimento e
reconhecimento nos espaços. Observou-se ausência de pessoas trans entre usuários,
evidenciando barreiras ao ingresso. Conclui-se que a participação não depende apenas da
oferta de práticas corporais, mas de uma lógica institucional que articule formação
profissional, diretrizes, comunicação inclusiva e reconhecimento das diferenças.