AMBIENTE ENRIQUECIDO EM CRECHE: DESENVOLVIMENTO INFANTIL E BIOMARCADORES DE ESTRESSE OXIDATIVO
neurodesenvolvimento infantil; estresse oxidativo; perfil lipídico; Bayley-III; primeira infância; ambiente enriquecido.
O neurodesenvolvimento infantil constitui um processo dinâmico e multifatorial, influenciado
pela interação entre fatores biológicos, ambientais, nutricionais e socioeconômicos,
especialmente durante os primeiros anos de vida, período caracterizado por elevada plasticidade
neural. Alterações metabólicas e oxidativas podem influenciar o desenvolvimento cognitivo e
motor, embora estudos envolvendo biomarcadores de estresse oxidativo em crianças pré-
escolares ainda sejam limitados. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar
a relação entre biomarcadores de estresse oxidativo, perfil lipídico e desenvolvimento cognitivo
e motor em crianças de primeira infância inseridas em um protocolo de ambiente enriquecido
sistematizado baseado no brincar. Trata-se de um estudo observacional, longitudinal e
prospectivo, desenvolvido com crianças matriculadas em Centros Municipais de Educação
Infantil. Os resultados apresentados correspondem à etapa inicial de avaliação de uma amostra
parcial composta por 29 crianças, com média de idade de 24,69 ± 7,34 meses. Foram coletadas
informações sociodemográficas, socioeconômicas e antropométricas por meio de questionários
estruturados. O desenvolvimento cognitivo e motor foi avaliado pela Escala Bayley de
Desenvolvimento do Bebê e da Criança Pequena – Terceira Edição (Bayley-III). O perfil
lipídico incluiu as dosagens séricas de colesterol total, HDL-c, LDL-c e triglicerídeos. O perfil
oxidativo foi avaliado pelos biomarcadores malondialdeído, carbonilas proteicas e grupamentos
sulfidrila totais. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial,
utilizando testes paramétricos e não paramétricos, considerando nível de significância de 5%.
A amostra foi composta predominantemente por crianças do sexo feminino, pertencentes a
famílias de baixa renda e beneficiárias de programas de transferência de renda. Observou-se
elevada frequência de mães com ensino médio completo e ausência de ocupação remunerada.
Em relação ao estado nutricional, verificou-se predominância de peso adequado para a idade,
embora tenha sido identificada elevada frequência de excesso de peso e alterações no IMC para
a idade. Na avaliação do desenvolvimento infantil, os escores cognitivos e motores
apresentaram médias dentro da faixa esperada para a idade, sem diferenças significativas entre
os domínios avaliados, com predominância de classificações qualitativas médias e média
elevada. A caracterização do perfil lipídico evidenciou elevada frequência de alterações
metabólicas, especialmente hipertrigliceridemia e redução dos níveis de HDL-c. Em relação ao
perfil oxidativo, observou-se elevada variabilidade intragrupo, particularmente nos níveis de
carbonilas e SH. Na análise inferencial, identificou-se correlação positiva moderada entre
carbonilas e idade, peso corporal e estatura, sugerindo aumento da oxidação proteica com o
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crescimento corporal. Além disso, observou-se associação negativa moderada entre MDA e
LDL-c, bem como entre carbonilas e triglicerídeos. Não foram identificadas associações
significativas entre os biomarcadores oxidativos e os escores cognitivos ou motores avaliados
pela Bayley-III. Os achados preliminares reforçam a relevância da investigação integrada entre
fatores metabólicos, oxidativos e neurodesenvolvimentais durante a primeira infância,
especialmente em populações socialmente vulneráveis. Considerando que o estudo encontra-se
em andamento, espera-se que a ampliação amostral e o acompanhamento longitudinal
possibilitem maior compreensão dos mecanismos biológicos relacionados ao desenvolvimento
infantil, bem como dos potenciais efeitos do ambiente enriquecido sistematizado baseado no
brincar sobre os desfechos avaliados.