EFEITOS DAS ESTIMULAÇÕES TRANSESPINAIS ASSOCIADA À FISIOTERAPIA EM PACIENTES COM LESÃO MEDULAR INCOMPLETA CRÔNICA
traumatismo raquimedular, deambulação, neuromodulação espinal,
estimulação espinal transcutânea, recuperação funcional.
A lesão medular (LM) é uma condição incapacitante associada a déficits
motores, especialmente na fase crônica, na qual a reabilitação convencional
apresenta eficácia limitada. Nesse contexto, as estimulações transespinais têm sido
investigadas como estratégias que potencializam a recuperação da marcha e da
independência funcional. A presente tese é composta por dois estudos que
investigaram os efeitos da associação entre estimulações transespinais e
intervenções orientadas à tarefa em indivíduos com LM incompleta crônica. O
Estudo 1 (estudo de viabilidade) teve como objetivo avaliar a viabilidade da
combinação da estimulação transespinal magnética repetitiva (rTsMS) com o treino
de marcha com suporte parcial de peso corporal (BWSTT) na recuperação da
marcha após LM incompleta crônica. Seis participantes foram incluídos e
randomizados em dois grupos (rTsMS real ou sham), ambos submetidos ao BWSTT
(10 sessões; 5 sessões/semana).A rTsMS foi aplicada ao nível de T10 (10 Hz, 2000
pulsos e 100% do limiar motor de repouso) e em seguida realizaram o BWSTT por
20 minutos. Foram avaliados indicadores de viabilidade nos domínios: (i) Processo,
(ii) Recursos e (iii) Tratamento. As avaliações clínicas foram realizadas no baseline,
após cinco e dez sessões, por meio dos seguintes instrumentos: WISCI-II
(independência na marcha), AIS (comprometimento neurológico), UEMS e LEMS
(função motora), LT e PP (função sensorial) e MAS (espasticidade). Os resultados
demonstraram que a associação entre rTsMS e BWSTT foi viável, segura e bem
tolerada, com elevada adesão e ausência de eventos adversos. Além disso, foram
observados possíveis benefícios da rTsMS real associados à melhora da função
motora de membros inferiores. O Estudo 2 (ensaio clínico randomizado, controlado
e triplo-cego) teve como objetivo investigar os efeitos da estimulação transespinal
por corrente contínua (tsDCS) associada à fisioterapia neurofuncional. A tsDCS
anódica (2,5 mA, 20 minutos) foi administrada ao nível de C7 ou T10 (conforme o
objetivo terapêutico), concomitantemente à fisioterapia neurofuncional (45 minutos)
por 10 sessões (5 sessões/semana). Quatorze participantes foram alocados em dois
grupos (tsDCS real ou sham). Os desfechos foram avaliados no baseline, após as
10 sessões de intervenção e follow-up (30 dias após), a partir das seguintes
medidas: SCIM (independência funcional), AIS (comprometimento sensório-motor),
UEMS e LEMS (função motora), LT e PP (função sensorial), MAS (espasticidade) e
PGICS (percepção de melhora). Os resultados não demonstraram diferenças
estatisticamente significativas entre os grupos nem mudanças intragrupo ao longo
do tempo. Os eventos adversos foram leves e transitórios. Em conjunto, os achados
desta tese indicam que a neuromodulação espinal associada à reabilitação é uma
abordagem segura e com potencial clínico quando aplicada por meio da rTsMS. Por
outro lado, a ausência de efeitos com a tsDCS reforça a importância do refinamento
dos parâmetros de estimulação e da individualização terapêutica em futuras
investigações.