Os Desafios da Avaliação da Pós-Graduação em Educação no Brasil: as
potencialidades dos programas e as contradições dos processos avaliativos
Avaliação da Pós-Graduação, Neoliberalismo e Educação, Cartografia,
Materialismo Histórico-dialético e Desigualdades Regionais
Nesta dissertação me propus a realizar uma análise da influência estrutural do neoliberalismo
e suas determinações no modelo de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (CAPES), com foco nos Programas de Pós-Graduação (PPGs) em Educação.
Situado no contexto da interiorização universitária, especificamente no Campus Acadêmico do
Agreste da UFPE, o estudo utiliza a cartografia como estratégia metodológica, fundamentada
na perspectiva do materialismo histórico-dialético e nas teorias de Deleuze e Guattari. É uma
pesquisa em que o pesquisador se auto identifica metaforicamente como um "Caranguejo-
Guerreiro Nômade", uma figura que opera nas margens (mangue/periferia) e utiliza uma
"máquina de guerra" para resistir e criar linhas de fuga contra a captura do "aparelho de
Estado". A pesquisa traça a evolução histórica dos Planos Nacionais de Pós-Graduação
(PNPGs), identificando como, desde a influência estadunidense do Ponto IV até a gestão
neoliberal contemporânea, consolidou-se uma lógica de produtivismo acadêmico que privilegia
a quantidade de publicações como impacto social. Os resultados apontam para uma contradição
fundamental nos critérios de avaliação: a tensão entre a exigência de infraestrutura consolidada,
favorecendo o “capital” acumulado dos centros hegemônicos, e a demanda por impacto social,
onde programas periféricos e interiorizados possuem grande potência transformadora, mas são
subvalorizados pelas métricas bibliométricas. Conclui-se que o modelo de avaliação vigente
reproduz desigualdades regionais e impõe uma subjetividade neoliberal de "indivíduo-
empresa", exigindo uma práxis científica que, partindo da periferia, dispute a concepção de
ciência e valorize os saberes locais e a emancipação coletiva.