DISCURSOS DE AVALIAÇÃO DA/NA TRAJETÓRIA FORMATIVA DOS PROFESSORES DE SURUBIM (PE)
Avaliação; Políticas avaliativas; Práticas avaliativas; Teoria do discurso; ação docente.
A presente pesquisa se insere no campo dos estudos sobre a avaliação da aprendizagem, tendo
como principal enfoque os discursos que possibilitaram as construções de sentidos que se
configuraram e reconfiguraram ao longo das trajetórias escolares e acadêmicas dos
professores do interior pernambucano, mais especificamente na cidade de Surubim,
Pernambuco. Nessa linha, tomamos como principal objetivo de pesquisa compreender como
se caracterizam os movimentos discursivos que produzem as práticas avaliativas dos
professores da rede municipal de Surubim, Pernambuco, considerando a existência de
diversos movimentos discursivos que perpassam o cotidiano escolar, para além das políticas
de avaliação que buscam de fixar em uma posição hegemônica, e atravessam o cotidiano das
práticas avaliativas dos professores. Para tanto, realizamos um diálogo com autores que
versam sobre as possibilidades de reflexão do campo educacional à luz da Teoria do Discurso,
considerando os contextos de disputa política na qual a avaliação se centra. Já no que se refere
aos sentidos historicamente construídos sobre a avaliação, bem como suas novas perspectivas
epistemológicas, nos alicerçamos nas discussões de autores como Méndez (2002), Marinho,
Fernandes e Leite (2014) e Oliveira e Santos (2021). Ainda, compreendendo o avanço nas
discussões acerca da avaliação no contexto brasileiro por meio da ampliação de produções
científicas na área, situamos – por meio da Revista Estudos em Avaliação Educacional, do
Banco de Teses e Dissertações da UFPE (ATTENA) e dos Anais das Reuniões Nacionais da
ANPEd – onde se localizam os debates sobre a avaliação, assim como trazemos as discussões
sobre os efeitos do PISA nas políticas nacionais e sua produção de efeitos na construção da
profissionalidade e na ação docente. Enquanto caminhos teórico-metodológicos,
contextualizamos, á luz da teoria do discurso, a polissemia de sentidos acerca da avaliação
oriundas das vivências dos professores, que se atravessam no contexto das instituições de
ensino da cidade de Surubim, Pernambuco. Para o entendimento desses movimentos
discursivos, foram revividas as memórias sobre a avaliação de três professores da rede
municipal de ensino, bem como a realização de entrevistas estruturadas, na compreensão dos
entraves e possibilidades as práticas avaliativas frente às políticas de cunho hegemônico. Os
resultados apontam que as políticas de avaliação da aprendizagem que buscam se fixar no
contexto educacional da cidade de Surubim possuem um discurso de fácil adesão e
mobilização nas escolas, tendo em vista o anúncio de uma garantia de acesso aos
conhecimentos e a busca por uma dita qualidade educacional. Entretanto, foi possível
perceber que, na contramão do que é disseminado em seus textos, a mobilização das
avaliações em larga escala produzem um sentido de avaliação baseado na obtenção de
resultados unívocos e unidimensionais, pautados na premissa que os estudantes aprendem da
mesma forma caso estejam seguindo os mesmos parâmetros. Consideramos assim que, ao
tomarem uma dimensão hegemônica, as políticas de avaliação da aprendizagem produzem um
paradoxo na sua própria efetivação, já que a relação binaria que se estabelece na percepção do
que é importante para o processo de ensino-aprendizagem e dos conhecimentos que devem ser
mobilizados durante o ano letivo produzem outras problemáticas que interferem diretamente
no cotidiano de sala de aula. Nessa linha, percebe-se que os sentidos avaliação construídos
pelos professores partem de uma consonância com essas significações previamente fixadas, já
que eles se movem nos limites da imposição avaliativa, mas ao longo de suas trajetórias
escolares e acadêmicas se reconstroem, tomando uma dimensão antagônica que redireciona as
suas práticas para uma tendência de diversificação das formas de avaliar os seus estudantes. A
partir do exercício de rememorar as suas trajetórias formativas, sentidos como cidadania,
diversidade e justiça emergem para expressar os modos como à avaliação é tomada no campo
da prática, resultando em tentativas de fuga de uma concepção de avaliação restrita a
intencionalidade dar consta dos índices educacionais. Diante desses apontamentos,
entendemos que os professores, guiados pelos conhecimentos construídos ao longo de suas
vivências – sejam pelas trajetórias formativas que se distanciam da reflexão sobre o processo
avaliativo, pelas percepções sobre injustiças com o ato de avaliar, pelos redirecionamentos
formativos, pelos interesses em determinadas disciplinas ou atividades de avaliação ou pelas
percepções sobre o objetivo educacional para e na sociedade –, adotam formas e critérios
avaliativos que transitam entre as demandas da institucionalidade e as demandas contextuais.