COMUNICAÇÃO EM AULAS DE MATEMÁTICA: um estudo na perspectiva da Educação Matemática Crítica e da Educação Inclusiva
Educação Matemática Crítica; Educação Inclusiva; Ensino de Matemática; Padrões de comunicação; Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A presente pesquisa insere-se no campo da Educação Matemática, com foco na comunicação
em aulas de Matemática na perspectiva da Educação Matemática Crítica (EMC) e da
Educação Inclusiva, especificamente em contextos que envolvem estudantes com Transtorno
do Espectro Autista (TEA). Objetivou caracterizar os tipos de comunicação estabelecidos por
professores de Matemática em classes inclusivas dos anos finais do Ensino Fundamental e
identificar indícios de acessibilidade presentes em suas práticas pedagógicas. O estudo foi
desenvolvido em uma escola da rede pública municipal localizada no Agreste de Pernambuco,
tendo como participantes quatro professores que lecionavam Matemática nos anos finais do
Ensino Fundamental. Os dados da pesquisa foram produzidos por meio de entrevistas
semiestruturadas e observações de aulas. Para a análise dos dados, elegeram-se as categorias
comunicação e acessibilidade. Os resultados evidenciaram a presença dos padrões de
comunicação sanduíche, adivinhação e diálogo, manifestados em diferentes intensidades nas
práticas pedagógicas dos professores participantes. O padrão sanduíche destacou-se pela
condução das atividades por meio de perguntas previamente direcionadas e respostas
esperadas pelo professor. O padrão de adivinhação manifestou-se em situações nas quais os
estudantes eram conduzidos à resposta considerada correta pelo docente. O diálogo foi
identificado em momentos nos quais os professores favoreceram a participação dos
estudantes, estabeleceram relações entre os conteúdos matemáticos e situações do cotidiano e
oportunizaram espaços para interação e investigação, embora esses elementos tenham
ocorrido de forma pontual. No que se refere à acessibilidade, foram identificados indícios de
acessibilidade metodológica, instrumental e comunicacional. As dimensões metodológica e
instrumental manifestaram-se com maior frequência, sobretudo por meio da adaptação de
estratégias de ensino e da utilização de recursos didáticos diversificados. A acessibilidade
comunicacional foi identificada em menor proporção, evidenciando-se em situações de
acompanhamento individualizado e de incentivo à interação entre estudantes com e sem
necessidades educacionais específicas. Os resultados apontam para a necessidade de fortalecer
processos de formação inicial e continuada que articulem comunicação, diálogo,
acessibilidade e EMC, contribuindo para a construção de práticas pedagógicas inclusivas no
ensino de Matemática.