LGBTFOBIA E ADOECIMENTO MENTAL NO ENSINO MÉDIO: Nas disputas entre sofrimento e respeito, a escola diz quem eu devo ser e eu digo à escola quem eu sou
LGBTfobia. Educação. Ensino Médio. Adoecimento mental. Epistemologia Qualitativa.
A LGBTfobia é um fenômeno capaz de exercer importante impacto na vida das pessoas
vitimadas. É uma violência que ocorre em diversos contextos, dos quais destaca-se a escola.
Estudos têm revelado o potencial gerador de preconceito e sofrimento, decorrentes de relações
preconceituosas existentes no âmbito educacional, inclusive, durante o Ensino Médio. Além
disso, questões relacionadas ao processo de desenvolvimento na adolescência e contextos
familiares, culturais e sociais podem contribuir para o desencadeamento de adoecimento
mental. Diante disso, esta pesquisa teve como objetivo principal: analisar a maneira pela qual
a LGBTfobia pode desencadear adoecimento mental em estudantes de Ensino Médio do
Agreste de Pernambuco, considerando as suas implicações no processo de ensino e
aprendizagem. Em relação aos objetivos secundários, o estudo propôs: i) Identificar as
principais ocorrências LGBTfóbicas em escolas de Ensino Médio do Agreste de Pernambuco;
ii) Analisar os principais desdobramentos da LGBTfobia no processo de ensino e aprendizagem
em estudantes de Ensino Médio do Agreste de Pernambuco; e, iii) Analisar as implicações da
LGBTfobia no desencadeamento de adoecimento mental em estudantes de Ensino Médio do
Agreste de Pernambuco e suas influências no processo de ensino e aprendizagem. A pesquisa
contou com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de
Pernambuco – FACEPE e foi realizada em 3 Escolas de Referência em Ensino Médio –
EREM’s, do Agreste de Pernambuco. A metodologia proposta foi a Epistemologia Qualitativa,
de González Rey em diálogo com o Método do caso alargado, de Boaventura de Sousa Santos,
e com o Método de Análise de Conteúdo, de Bardin. Enquanto ferramentas de produção de
dados, a pesquisa fez uso de questionários, entrevistas e observações no campo. Participaram
do estudo estudantes, professores(as) e gestores(as) das escolas selecionadas. Os dados
apontaram a existência de LGBTfobia nas escolas investigadas, sendo a principal manifestação
a LGBTfobia recreativa, identificada como “brincadeiras”, além disso, a lacuna formativa
dos(as) professores(as) e gestores(as), sobre esta temática, comprometem intervenções mais
fundamentadas. Alternativas como a existência de núcleo de discussão de gênero, identificado,
em uma das escolas participantes, pareceu possibilitar espaço de diálogo mais qualificado,
porém, de modo geral, a escassez de mecanismos mais específicos para o enfrentamento de
LGBTfobia nas EREM ́s, torna o ambiente nestes espaços, suscetíveis a situações
LGBTfóbicas, que, de acordo com os sentidos atribuídos através dos dados obtidos, podem
desencadear adoecimento mental e impactos na permanência e rendimento escolar dos(as)
estudantes vitimados(as). Sugere-se que outros estudos possam ser realizados, ampliando as
discussões e o alcance destas temáticas.