CURRÍCULO, COLONIALIDADE E RAÇA NAS IMAGENS DAS PESSOAS
NEGRAS E INDÍGENAS EM LIVROS DIDÁTICOS BRASIL/PORTUGAL E NA
PRODUÇÃO ARTÍSTICA BRASILEIRA COMO TENSIONAMENTO PARA
UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: focando na escola do campo
(em fase de elaboração)
A pesquisa em desenvolvimento tem como objeto de estudo as imagens de pessoas
negras e indígenas, analisadas a partir de duas fontes principais: os livros didáticos,
utilizados em escolas do campo no Brasil e em Portugal, e as autorrepresentações dos
povos negros e indígenas. Propomos compreender as imagens dos livros didáticos como
textos curriculares que produzem sentidos e regulam o que pode ser visto, dito e
reconhecido na escola. Além disso, concebemos as imagens de autoria de pessoas
negras e indígenas como expressões legítimas de produção teórica e epistêmica.
Mobilizar esses artefatos visuais significa reconhecer o seu papel ativo na
contemporaneidade e na circulação de saberes, especialmente no contexto educacional,
desafiando o monopólio da escrita eurocêntrica como única via de validação científica.
Dessa forma, nossa abordagem teórico-metodológica ampara-se no diálogo entre o
pensamento decolonial (Mignolo, 2008, 2009; Quijano, 2005; Walsh, 2009; 2008) e os
estudos pós-coloniais (Hall, 2006; 1990; Said, 2007). Delineamos como problema de
pesquisa: quais as tensões coloniais e decoloniais entre as representações imagéticas dos
povos negros e indígenas nos livros didáticos brasileiros e portugueses e nas
autorrepresentações desses sujeitos? Para responder a essa inquietação, estabelecemos
como objetivo geral: analisar as tensões entre colonialidade e decolonialidade nas
imagens dos povos negros e indígenas nos livros didáticos das escolas do campo
Brasil/Portugal e nas imagens produzidas por sujeitos negros e indígenas. A
investigação adota como procedimentos metodológicos a pesquisa documental, a
análise de conteúdo via análise temática (Bardin, 1997; Vala, 1990) e os pressupostos
analíticos da antropologia visual (Ribeiro, 2005; Burke, 2004; Amount, 2002).