A percepção Docente como Burocrata de Nível de Rua na Implementação da Política de Inclusão de Estudantes com TEA no IFPE – Campus Jaboatão dos Guararapes
Políticas Públicas; Inclusão Escolar; Transtorno do Espectro Autista; Burocracia de Nível de Rua; Docência; IFPE.
Este estudo analisa a percepção docente como burocrata de nível de rua na implementação da política de inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) – Campus Jaboatão dos Guararapes. A pesquisa parte da compreensão de que os docentes exercem papel central na operacionalização das políticas públicas inclusivas, atuando diretamente na mediação entre as diretrizes institucionais e a realidade escolar. Fundamenta-se teoricamente nos estudos de Michael Lipsky sobre burocracia de nível de rua, nas contribuições de Lotta acerca da implementação de políticas públicas e nas discussões de Maria Teresa Mantoan sobre educação inclusiva. O estudo aborda ainda a construção histórica das políticas inclusivas no Brasil, os marcos legais relacionados aos direitos das pessoas com deficiência e autistas, compreensão sobre o TEA, bem como o desenho institucional da política de inclusão no IFPE. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, realizada por meio da aplicação de questionário estruturado com docentes do IFPE – Campus Jaboatão dos Guararapes. Os dados foram organizados em dimensões analíticas relacionadas à percepção das políticas institucionais, formação e preparo pedagógico e sentimento de responsabilidade coletiva frente à inclusão e o perfil dos participantes. Os resultados demonstraram que os docentes reconhecem a importância das políticas inclusivas e apresentam percepção positiva quanto à responsabilidade coletiva no processo de inclusão escolar. Entretanto, evidenciaram limitações relacionadas à formação continuada, ao preparo pedagógico e ao suporte institucional para o atendimento adequado aos estudantes autistas. Conclui-se que a efetividade da política de inclusão depende não apenas da existência de dispositivos legais e institucionais, mas também do fortalecimento das condições concretas de implementação, especialmente no que se refere à capacitação docente, apoio multiprofissional e consolidação de uma cultura institucional inclusiva. A pesquisa contribui para o campo das políticas públicas ao integrar os estudos sobre implementação de políticas e educação inclusiva na realidade dos Institutos Federais brasileiros na visão dos agentes transformadores.