Mulheres da Mata Sul de Pernambuco na Tecnologia: A Política de Assistência Estudantil do IFPE e a permanência das estudantes no campus Palmares.
Gênero- Evasão- Permanência- Tecnologia da Informação- Assistência Estudantil
A inserção feminina na área de Tecnologia da Informação (TI) tem se apresentado como um processo lento e permeado por desafios estruturais que envolvem a sub-representação e os altos índices de evasão na formação. Esta dissertação analisa de que forma os programas da Política de Assistência Estudantil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) têm garantido a permanência de estudantes mulheres nos cursos regulares em TI do campus Palmares. A pesquisa é predominantemente qualitativa e se caracteriza pela abordagem exploratório-descritiva. A metodologia incluiu a análise documental (dados dos sistemas Fluxo e Q-Acadêmico e registros institucionais) e entrevistas semiestruturadas com 16 mulheres, sendo 8 evadidas e 8 egressas. As informações foram examinadas a partir da Análise de Conteúdo com apoio do software Atlas.ti e analisadas em perspectiva temática e comparativa. Os resultados revelam aspectos estruturais da evasão, que atinge majoritariamente mulheres em extrema vulnerabilidade socioeconômica e com dinâmicas intensas de deslocamento e sobrecarga relacionadas à esfera doméstica e à maternidade, em contraste às egressas que não possuem filhos e vem de ambientes de responsabilidades compartilhadas. Como importante achado institucional, a pesquisa evidencia um processo de “expulsão” ao constatar que parte das evadidas foi, na verdade, impedida de concluir o curso pela suspensão da oferta de disciplinas, o que está também vinculado ao seu perfil que condensa exatamente as mesmas características das estudantes que efetivamente desistiram de seguir com a formação. Ademais, o machismo no ambiente expresso em falas e concretizado em episódios de violência de gênero atua como fator de adoecimento e mecanismo de expulsão silencioso. Contudo, alguns fatores são centrais na permanência para as egressas, como a participação em projetos de pesquisa/extensão, a representatividade feminina no ambiente e iniciativas específicas de acolhimento, como o Projeto IF Ladies. Conclui-se que a Política de Assistência Estudantil atua como agente indispensável à permanência material (efetivando acesso a transporte, alimentação e recursos pedagógicos), reduzindo os impactos das desigualdades, entretanto se torna insuficiente ante seus limites em lidar com a complexidade das demandas vivenciadas pelas estudantes mães e trabalhadoras, além dos impactos do machismo estrutural que também incidem na permanência. Faz-se necessário, para assegurar a permanência feminina na Tecnologia, para além dos recursos financeiros, letramento de gênero institucional e fortalecimento dos mecanismos de apoio e acompanhamento.