SAÚDE E PERMANÊNCIA UNIVERSITÁRIA NA UFOPA: diagnóstico epidemiológico, barreiras de acesso e implementação da dimensão saúde da assistência estudantil a partir da percepção dos estudantes
Palavras-chave: protocolo institucional da saúde estudantil; doenças crônicas não transmissíveis; assistência estudantil; barreiras de acesso.
Este estudo avaliou a implementação da dimensão saúde da Política Nacional de Assistência Estudantil na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), por meio da análise do perfil clínico-epidemiológico dos estudantes, das barreiras estruturais de acesso aos serviços de saúde e da capacidade institucional de resposta, com o objetivo de subsidiar a elaboração de um Protocolo Institucional de Atenção à Saúde Estudantil. Trata-se de pesquisa aplicada, de natureza exploratório-descritiva, com abordagem de métodos mistos em desenho convergente-paralelo. Foram aplicados questionários estruturados a 216 estudantes e realizadas 17 entrevistas semiestruturadas com discentes. A amostra foi composta predominantemente por jovens (65,0%), mulheres (57,0%) e estudantes autodeclarados pardos (59,0%). Observou-se prevalência de excesso de peso (38,4%), presença autorreferida de pelo menos uma doença crônica não transmissível (25,5%) e elevada ocorrência de episódios de mal-estar no ambiente universitário (59,7%). Além disso, 66,2% dos estudantes relataram duas ou mais barreiras de acesso aos serviços de saúde. Na análise multivariada, utilizando modelo de regressão de Poisson com variância robusta, apenas a variável “não consumo atual de álcool” manteve associação estatisticamente significativa com o desfecho analisado (RP < 1; p < 0,05), enquanto renda familiar até um salário-mínimo apresentou tendência de associação. A etapa qualitativa evidenciou experiências recorrentes de adoecimento no cotidiano acadêmico, dificuldades territoriais e organizacionais no acesso ao Sistema Único de Saúde e percepção de fragilidade na organização institucional da atenção à saúde física no campus. A integração convergente dos achados quantitativos e qualitativos indicou assimetrias na capacidade institucional de implementação da dimensão saúde da assistência estudantil. Conclui-se que a saúde estudantil constitui dimensão estratégica da permanência universitária e requer institucionalização de fluxos assistenciais, definição de responsabilidades, pactuação com a rede do SUS e incorporação de indicadores de monitoramento, materializados na proposição de Protocolo Institucional de Atenção à Saúde Estudantil.