MOVIMENTOS FEMINISTAS EM LIVROS DIDÁTICOS DE HISTÓRIA DOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Ensino de História. Movimentos Feministas. Gênero. Livro didático.
Os movimentos feministas no livro didático de História dos anos finais do Ensino Fundamental constituem o objeto de estudo desta pesquisa que busca responder à questão: de que maneira o livro didático de História representa os movimentos feministas a partir de uma perspectiva feminista fundamentada no gênero enquanto categoria de análise? Nesse sentido, objetiva-se compreender as representações dos movimentos feministas nos livros didáticos de História, com apoio nos estudos de Scott (1992, 1994, 1995); Rago (2007, 2009, 2012); Pinto (1994, 2023, 2023a); Pedro (2006, 2011, 2019); Louro (1994, 2014); Duarte (1999, 2001, 2019); Carneiro (2019), entre tantas outras estudiosas feministas. Os objetivos específicos da investigação são: (a) recuperar a história dos movimentos feministas no Brasil com ênfase nas pautas defendidas; (b) analisar os movimentos feministas no livro didático de História do Ensino Fundamental Anos Finais; (c) discutir a importância de um ensino de história feminista para que estudantes se reconheçam enquanto sujeitos de transformação para a equidade de gênero e (d) elaborar uma sequência didática de apoio a um ensino de história feminista. A metodologia compreendeu a análise do conteúdo do livro História, Sociedade & Cidadania – 9º Ano, de Alfredo Boulos Júnior, publicado pela Editora FTD. A obra foi selecionada por integrar o conjunto de obras aprovadas no PNLD 2024 e por sua ampla utilização no Ensino Fundamental Anos Finais em escolas públicas de Pernambuco. Os primeiros resultados apontam que embora a obra busque incluir a participação das mulheres, essa presença é apresentada de forma fragmentada e despolitizada, o que dificulta a compreensão do protagonismo feminino como parte de um processo histórico contínuo. A ausência de interseccionalidades e de articulação com os movimentos feministas contribui para a homogeneização das experiências femininas e limita a compreensão de seu potencial político e coletivo.