Banca de DEFESA: EDRYELLE MARIA DA SILVA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: EDRYELLE MARIA DA SILVA
DATA : 20/05/2026
HORA: 14:00
LOCAL: CFCH
TÍTULO:

A CAPOEIRA NO PEDAÇO: O ENSINO DE HISTÓRIA E A PRODUÇÃO DE DIFERENTES E DIVERGENTES NARRATIVAS, NA EDUCAÇÃO BÁSICA DE BELO JARDIM/PE

 

 

 


PALAVRAS-CHAVES:

Capoeira; Ensino de História; Educação antirracista; Identidade cultural; Lei nº 10.639/2003.


PÁGINAS: 142
RESUMO:

Esta dissertação analisa a capoeira como prática histórica, cultural e pedagógica, articulando-a às dimensões de ancestralidade, território e educação no contexto de Belo Jardim/PE. O estudo parte da compreensão de que o ensino de história, na educação básica, deve dialogar com as experiências e manifestações culturais presentes nos territórios, reconhecendo nelas potencial formativo, crítico e identitário. Nesse sentido, investiga-se a capoeira como conteúdo ou recurso didático e como linguagem de resistência, memória e produção de saberes. A pesquisa se desenvolve a partir da análise do estigma territorial e do imaginário social construído sobre determinados espaços urbanos, especialmente o bairro COHAB III, denominado nesta investigação como “pedaço”. Nesse território, a capoeira se configura como prática viva, vinculada à Associação Vida Jovem, que atende aproximadamente 250 crianças e adolescentes, constituindo-se como espaço de formação cidadã, pertencimento e reexistência. Ao considerar a ancestralidade como princípio organizador das experiências sociais e culturais, o estudo compreende a capoeira como expressão que articula corpo, memória e território, atualizando saberes historicamente marginalizados. Do ponto de vista metodológico, a investigação adota abordagem qualitativa, de natureza interpretativa, fundamentada em entrevistas semiestruturadas, observação participante e análise de documentos e narrativas orais de mestres e praticantes locais. a análise também dialoga com a historicidade da capoeira nos séculos XIX e XX, evidenciando suas múltiplas dimensões, entre repressão, resistência e reinvenção, e sua constituição como prática ancestral. No campo educacional, o estudo problematiza a inserção da capoeira na escola, discutindo as contradições entre sua apropriação como fetiche pedagógico e suas potencialidades como contradispositivo de racialidade. Ao mobilizar contribuições teóricas críticas, evidencia-se que a capoeira pode tensionar processos de epistemicídio e contribuir para a construção de práticas pedagógicas antirracistas, especialmente no ensino de história, possibilitando a abordagem de temas como identidade, memória, ancestralidade e território. Os resultados indicam que a integração entre escola e comunidade, mediada pela capoeira, fortalece vínculos culturais, amplia as formas de produção de conhecimento e contribui para a efetivação da lei nº 10.639/2003 que trata da obrigatoriedade do ensino de História da África e da Cultura Afro-brasileira. Conclui-se que a capoeira, ao ser compreendida como saber social, prática ancestral e patrimônio cultural, constitui-se como estratégia pedagógica potente para a reconstrução de narrativas históricas e para a formação de sujeitos críticos, capazes de reconhecer e valorizar suas experiências e pertencimentos.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1564881 - VALERIA GOMES COSTA
Interno - 2866453 - ANDRE MENDES SALLES
Externo à Instituição - BRUNO EMMANUEL SANTANA DA SILVA
Notícia cadastrada em: 09/04/2026 14:25
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação (STI-UFPE) - (81) 2126-7777 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - sigaa11.ufpe.br.sigaa11