Um terreiro que educa: as ações pedagógicas na comunidade do Ẹgbẹ́ Ọmọ L'Omi em Jaboatão dos Guararapes - PE
Antropologia da educação; Comunidade tradicional; Educação em terreiros;
Pedagogias decoloniais.
Esta pesquisa etnográfica investiga as práticas pedagógicas desenvolvidas no terreiro de
Candomblé e Jurema Ẹgbẹ́ Ọmọ L'Omi, localizado em Jaboatão dos Guararapes (Ibura - PE), por meio do
projeto de educação não formal "Egbé que Ensina". Criado em 2018 em um território marcado por conflitos
fundiários, violência religiosa e vulnerabilidade social, o terreiro articula espiritualidade, arte e educação
comunitária como estratégias de enfrentamento ao racismo, à LGBTQIAfobia e à misoginia. O projeto oferece
aulas de Capoeira Angola, relações étnico-raciais, literatura e português para crianças e adolescentes do Ibura.
A pesquisa parte da seguinte questão central: como os modos tradicionais de aprender no cotidiano do terreiro
— baseados na oralidade, na observação, na hierarquia respeitosa aos mais velhos e na educação da atenção —
são mobilizados, traduzidos e transformados na construção de um projeto pedagógico próprio, que dialoga
com formas e expectativas da educação escolar formal? Utilizando observação participante, entrevistas
semiestruturadas e abordagem colaborativa com a comunidade — incluindo a Ialorixá, educadores sociais,
crianças e familiares —, o estudo busca compreender as continuidades, tensões e deslocamentos entre o
aprender ritual, o aprender familiar e o aprender no projeto. Ao analisar a "pedagogia de terreiro" como
epistemologia negra e prática decolonial, a pesquisa contribui para os campos da antropologia da educação e
dos estudos sobre comunidades tradicionais de matriz africana, evidenciando que os terreiros são territórios
vivos de produção de conhecimento, formação humana e resistência antirracista.