Fluir, confluir e desaguar entre si: cartografias de confluências no ensino das Artes Visuais no Ensino Médio integral em Coruripe – Alagoas.
Artes Visuais. Projeto de Vida. Ensino médio. Conversa. Cartografia.
Esta investigação analisa o ensino de Artes Visuais como eixo central na
construção de subjetividades de estudantes do Ensino Médio, tendo como cenário e
particularidade o componente curricular Projeto de Vida em uma escola estadual de
tempo integral localizada em Coruripe, Alagoas. O objetivo central é cartografar e
compreender elementos dos projetos de vida a partir de uma vivência ampliada no campo
das artes, na qual a criação artística atua como metodologia de investigação subjetiva e
autoconhecimento. Em consonância com esse propósito, a investigação estruturou-se por
meio de três objetivos específicos que foram plenamente atingidos no percurso: mapear
as produções realizadas durante as aulas de Arte e de Projeto de Vida no período de
2023 a 2025, o que foi viabilizado pelo caráter longitudinal da pesquisa ao cartografar o
percurso de uma turma durante os três anos da etapa final da Educação Básica; analisar
as produções visuais como suportes artísticos e subjetivos dos projetos de vida dos
estudantes, percurso que se materializou através de uma metáfora fluvial que descreve a
trajetória da turma através das fases de nascente (1o ano), leito (2o ano) e foz (3o ano); e
compreender o que pensam e sentem os estudantes a respeito de suas produções e
modos de autoexpressão, meta atingida pela análise aprofundada das visualidades e
narrativas de oito estudantes, nomeados metaforicamente como "barquinhos", cujos
diários gráficos e intervenções artísticas funcionaram como suportes de suas memórias,
desejos e projeções de futuro. Metodologicamente, o trabalho fundamenta-se na
bricolagem cartográfica, articulando as pistas do método da conversa e cartografia para o
acompanhamento de processos em movimento com o dispositivo da conversa como
espaço de escuta sensível e produção de conhecimento relacional. O aporte teórico
confluem os pensamentos de Ana Mae Barbosa sobre a Abordagem Triangular, Fayga
Ostrower acerca da composição visual e do ato criador, Paulo Freire no que tange à
pedagogia da autonomia e ao diálogo, e Cecília Almeida Salles na investigação dos
processos de criação. Os resultados evidenciam que a centralidade das Artes Visuais
permite que o Projeto de Vida escape de visões burocráticas e neoliberais de
planejamento, consolidando-se como um território de invenção de si no qual os estudantes se reconhecem como autores de suas próprias histórias.