Transbordamentos
Artes visuais- Processos manuais-cerâmica- corpo- processos de
criação
O presente trabalho propõe uma reflexão sobre a presença do corpo nos processos manuais e
as inscrições que esse corpo produz. Para isso, estabelece um diálogo teórico com autores
como Leda Maria Martins (2021) e Tim Ingold (2016, 2022), entre outros. Como resultado de
múltiplas imbricações, esse corpo corresponde a uma cosmopercepção que se manifesta nas
relações que estabelece com os materiais, a paisagem e o tempo. A escrita poética é abordada
como metáfora do mergulho, na qual as reflexões são experienciadas em forma de fragmentos,
e o tempo da pesquisa é compreendido como uma ontologia — um tempo que se curva para
frente e para trás, em descontinuidade. A metodologia, situada no campo da pesquisa em
artes, combina prática como pesquisa e escrita ensaística, por meio das quais se elabora uma
episteme que emerge da relação entre corpo–matéria–tempo. Nesse contexto, a escrita
fragmentada não se configura apenas como estilo, mas como procedimento metodológico.