NEURONUTRIÇÃO COM RESVERATROL E TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): INVESTIGAÇÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO SOMÁTICO, A EXPRESSÃO COMPORTAMENTAL E A IMUNORREATIVIDADE DE NEURÔNIOS SEROTONINÉRGICOS EM PROLE DE RATOS
autismo; ácido valproico; serotonina central; resveratrol; neuronutrição.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento definido por déficits na interação social e na comunicação, associados a padrões comportamentais rígidos e estereotipados. A correlação entre o uso gestacional de ácido valproico (VPA) e o risco de autismo fundamentou modelos de roedores que replicam, na prole, as disfunções comportamentais e neurobiológicas típicas do TEA, incluindo a desregulação da serotonina central, comprometendo a plasticidade e a conectividade neural, fundamentando diretamente os sintomas clínicos. Portanto, este estudo visou avaliar o impacto do resveratrol sobre os parâmetros murinométricos, o perfil comportamental e a imunorreatividade de neurônios serotoninérgicos em modelo experimental de TEA. Foram utilizadas 40 ratas wistar. A indução do autismo ocorreu através da administração de VPA no 12,5° de gestação. Após o desmame, no 22° dia pós natal (DPN), foram estabelecidos os seguintes subgrupos: Salina gestacional + Ingênuo pós-desmame (Grupo C, n=5); VPA gestacional + Ingênuo (Grupo VPA, n=5); Salina gestacional + Resveratrol pós-desmame (Grupo C-Rsv, n= 5); VPA gestacional + Resveratrol pós-desmame (Grupo VPA-Rev, n= 5). Foram avaliados o peso corporal, IMC, Índice de Lee, medidas murinométricas, os parâmetros comportamentais nos testes de campo aberto, três câmaras e enterramento de esferas na prole jovem (23°-25° DPN) e adulta (56°-58° DPN). O peso corporal na lactação e o índice de Lee não apresentaram diferenças entre os grupos. Aos 30 dias de vida, o grupo SAL-R foi menor que o SAL-C (SAL-R=123,3 ± 6,1 vs SAL-C=148,6 ± 12,73; p=0,01) e o grupo VPA-C foi menor que o SAL-C (VPA-C=120,4 ± 4,27 vs SAL-C=148,6 ± 12,73; p = 0,007). Em relação às medidas murinométricas, o eixo latero-lateral do crânio foi maior no grupo VPA comparado ao C no 21º DPN (VPA=2,03 ± 0,17 vs C=1,84 ± 0,072; p = 0,04). No eixo anteroposterior, o grupo VPA apresentou valores aumentados no 7º (VPA=2,57 ± 0,24 vs C=2,24 ± 0,15; p = 0,01) e no 14º DPN (VPA=3,42 ± 0,25 vs C=2,96 ± 0,13; p = 0,001). No comprimento nasoanal não houve diferença, contudo, o grupo VPA apresentou maior comprimento de cauda no 7º DPN (VPA=3,77 ± 0,25 vs C=3,35 ± 0,17; p = 0,004). Da mesma forma, no 7º DPN, o grupo VPA apresentou maiores valores de circunferência abdominal (VPA=6,85 ± 0,43 vs C=4,54 ± 1,93; p = 0,02) e circunferência torácica (VPA=6,34 ± 0,51 vs C=4,25 ± 1,81; p = 0,03). No teste de campo aberto, não foram identificadas diferenças no tempo gasto no centro ou na periferia. No teste de interação social, o tempo não social foi menor no grupo VPA em relação ao C (VPA=52,57 ± 17,08 vs C=84,00 ± 21,47; p = 0,01), resultando em um maior Índice de Sociabilidade para a prole VPA (VPA=0,78 ± 0,06 vs C=0,68 ± 0,08; p = 0,03). Os demais domínios de sociabilidade e o teste de enterrar esferas não revelaram discrepâncias estatísticas até o momento, ressaltando que os dados apresentados compõem uma análise preliminar, visto que o projeto encontra-se em andamento para a consolidação dos achados.