INTERVENÇÃO COM AMBIENTE ENRIQUECIDO EM MODELO EXPERIMENTAL DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): ESTUDO SOBRE O COMPORTAMENTO SOCIAL E ALIMENTAR DE RATOS WISTAR ADOLESCENTES
Ácido Valpróico; Autismo; Comportamento; Transtornos do Neurodesenvolvimento.
A exposição intrauterina ao ácido valproico (VPA) induz, em roedores, um fenótipo semelhante ao observado no transtorno do espectro autista, caracterizado por déficits de interação social, comportamentos repetitivos e, em alguns casos, alterações no comportamento alimentar. O Ambiente Enriquecido (AE), que promove maior estimulação sensorial, motora e cognitiva, tem sido investigado como estratégia pós-desmame para atenuar esses déficits. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos do enriquecimento ambiental sobre o comportamento social e alimentar em roedores expostos ao VPA durante a gestação. Ratas Wistar foram distribuídas aleatoriamente em grupos experimentais de acordo com a intervenção recebida no 12,5º dia de gestação: Grupo VPA (600 mg/kg) e Grupo Controle (solução salina). Do 1º ao 21º dia pós-natal (DPN), as ninhadas foram padronizadas para oito filhotes, com pesagem semanal dos filhotes. No DPN 23, 24 e 25, um conjunto de animais foi submetido aos testes de Campo Aberto, Três Câmaras e Sequência Comportamental de Saciedade. Em sequência, os filhotes foram alojados continuamente em AE ou padrão até o DPN 56, constituindo-se os grupos: Salina + Controle, Salina + AE, VPA + Controle e VPA + AE. Após esse período, os animais foram novamente submetidos a análises comportamentais, sendo eutanasiados no DPN 60. Os resultados preliminares obtidos mostram que as nutrizes tratadas com VPA não apresentaram diferenças no peso corporal durante a gestação e na lactação em comparação às nutrizes que receberam solução salina. Da mesma forma, não foram observadas diferenças no peso corporal individual dos filhotes durante o período de lactação, nem no comportamento de autolimpeza no período pós-desmame. Entretanto, os filhotes expostos ao VPA apresentaram déficits sociais significativos, incluindo menor tempo na câmara social (animal desconhecido), maior tempo na câmara não social (objeto), menor índice de sociabilidade e maior latência para iniciar a interação social.